Estação Londrina debate o livro Escândalos da Província, de Edison Maschio

A 9º edição do projeto Estação Londrina vai promover uma discussão sobre o primeiro romance totalmente escrito, ambientado e publicado na cidade de Londrina: o livro “Escândalos da Província“, do jornalista e escritor Edison Maschio. Lançado originalmente em 1959 a partir de uma tiragem de 2 mil exemplares, o livro ganhou nova edição em novembro de 2011 inaugurando a coleção Doc.Londrina da editora Kan. O debate será realizado na próxima quarta-feira, dia 12 de julho, a partir das 19h30, no Museu Histórico de Londrina, com entrada franca e presença do autor, hoje com 83 anos de idade. A mediação será do jornalista Felipe Melhado e do professor Frederico Fernandes, do Departamento de Letras da Universidade Estadual de Londrina.

Sobre o romance
“Romance satírico”, na avaliação do historiador Tony Hara, Escândalos da Província teria gerado uma grande confusão ao ser lançado no final dos anos 1950. O seu autor recebeu ameaças de morte, a polícia quis apreender parte da publicação; o que contribuiu para que os 2 mil exemplares lançados se esgotassem em poucos dias. De acordo com o texto de Hara e Marcos Losnak no prefácio da obra relançada há 6 anos, “Escândalos da Província pode ser lido como uma coletânea de faits divers que atiçaram a curiosidade dos leitores londrinenses na década de 50. Há no romance a narração de episódios reais que entraram para a história não-oficial da cidade de Londrina. O desfile das prostitutas carecas em plena luz do dia, na Avenida Paraná; o crime do juiz Ismael Dorneles de Freitas, assassino confesso do advogado Alcides Tomazetti; o caso das calcinhas encontradas debaixo dos cafezais ao lado do Country Club após um animado baile de carnaval. Esses episódios extraordinários se misturam a outros relatos que também soam por demais inverossímeis. A dúvida fica no ar. E esse é um dos trunfos dos faits divers, trafegar entre os fatos reais e o exagero sensacionalista.

Sobre o Autor
De acordo com Hara e Losnak, “Edison Maschio nasceu em Assis (SP), no dia 23 de novembro de 1933. Sua família se mudou para Londrina em 1938 para trabalhar na zona rural. Aos 16 anos, Maschio morava em Londrina e era funcionário de um cartório. Foi preenchendo certidões, procurações e contratos que o rapaz foi iniciado no quem é quem da cidade. O seu primeiro texto publicado em um jornal foi, literalmente, uma piada. Maschio ganhou um concurso promovido pelo jornal satírico A Carapuça em 1949. Victor Bosso, proprietário de A Carapuça e também da Gazeta Esportiva, convidou o jovem de 17 anos para fazer a cobertura do esporte amador londrinense. A partir daí, o jornalismo entrou definitivamente na vida de Maschio. Com o fechamento da Gazeta do Norte em 1961, Maschio atuou em pequenos e efêmeros jornais da cidade, além de escrever textos para o rádio e para o cine-jornal Atualidades Paranaenses, do cineasta Renato Melito. Editou a revista A Vanguarda e um jornal com o mesmo título. Mais tarde, em 1968, fundou O Diário de Londrina que durou até o ano de 1973. Nesta época, ele criou também a Revista Paraná Policial. Nas décadas de 70 e 80 redigiu e editou jornais para inúmeros sindicatos, como por exemplo, dos Bancários, dos Metalúrgicos e da Construção Civil. Foi um dos pioneiros em Londrina daquilo que passou a ser chamado de Imprensa Sindical. Na década de 80, Edison Maschio publicou sete álbuns que traziam breves biografias de cidadãos ilustres e dados sobre a realidade social e econômica do município. Um dos títulos mais conhecidos desse gênero é o livro Londrina: 60 Anos. Em meio a essas obras que reproduziam o discurso oficial sobre a cidade, a sua verve crítica veio à tona novamente com a publicação de seu segundo romance, Raposas do Asfalto (1984). Esta obra pode ser considerada uma continuação de Escândalos da ProvínciaO jornalista Edison Maschio ainda hoje atua como colaborador na imprensa londrinense. É, seguramente, o mais antigo jornalista em atividade em Londrina. Pequenos fragmentos dessa longa história foram reunidos num livro intitulado Histórias Ocultas, publicado pelo autor em 2010″.

Sobre o projeto Estação Londrina
Criado em 2016 sob a coordenação do professor e pesquisador Frederico Fernandes (Letras/UEL), Estação Londrina é um projeto de extensão da UEL, conta com recursos da CNPq, e tem como objetivo promover e discutir a produção cultural da cidade. De 2016 pra cá já foram realizados 8 encontros, discutindo temas relacionados à história, política, economia, literatura, cinema, fotografia, games e música de Londrina. Entre os convidados, participaram do projeto os jornalistas Tony Hara, Patrícia Zanin e Fábio Cavazotti, os fotógrafos Saulo Haruo Ohara e Guilherme Gerais, o cineasta Caio Júlio Cesaro, o professor canadense Tamer Thabet, as escritoras Beatriz Bajo, Flavia Verceze, Samantha Abreu, Vi Karina e Vivian Campos, entre outros nomes da cultura local. Em todas as edições do projeto a entrada é franca.

O Museu Histórico de Londrina fica na Rua Benjamin Constant, 900, no centro de Londrina. O evento tem entrada franca e é aberto a todos os interessados.

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Estação Londrina reúne jovens escritoras no próximo dia 7

A oitava edição do projeto Estação Londrina irá reunir cinco jovens escritoras que vivem na cidade: Beatriz Bajo, Flavia Verceze, Samantha Abreu, Vi Karina e Vivian Campos. Elas integram o coletivo VERSA e vão comentar a sua produção literária no próximo dia 7 de junho, quarta-feira, a partir das 19h30, na Biblioteca Pública de Londrina, no centro da cidade. Alguns dos seus livros estarão à venda no local – a entrada é franca.

Criado em 2016 sob a coordenação do professor e pesquisador Frederico Fernandes (Letras/UEL), Estação Londrina é um projeto de extensão da UEL, conta com recursos da CNPq, e tem como objetivo promover e discutir a produção cultural da cidade. De 2016 pra cá já foram realizados sete encontros, discutindo temas relacionados à história, política, economia, literatura, cinema, fotografia, games e música de Londrina. Entre os convidados, participaram do projeto os jornalistas Tony Hara, Patrícia Zanin e Fábio Cavazotti, os fotógrafos Saulo Haruo Ohara e Guilherme Gerais, o cineasta Caio Júlio Cesaro, o professor canadense Tamer Thabet, entre outros nomes da cultura local. Em todas as edições do projeto a entrada é franca.

Conheça um pouco mais das cinco jovens escritoras que integram o coletivo VERSA:

BEATRIZ BAJO
BEATRIZ BAJO (São Paulo/SP, 1980). Poeta, diretora-geral da Rubra Cartoneira Editorial, revisora, tradutora, professora de língua portuguesa e literatura, especialista em Literatura Brasileira (UERJ). Seus livros são sobre nossas línguas a carne das palavras (no prelo), domingos em nós (PR, 2012),: a palavra é (PR) e a face do fogo (SP), os dois de 2010. Mantém o blog Linda Graal (http://lindagraal.blogspot.com/) e o Esquina Literária, de ensaios, resenhas e divulgações, (http://esquinaliteraria.blogspot.com/). Morou por 17 anos no Rio de Janeiro (RJ) e vive há 10 em Londrina-PR.

FLAVIA VERCEZE
Flávia A. Verceze. Psicóloga Clínica, pós-graduada em Clínica Psicanalítica e Especialista em Saúde da Mulher. Poetisa, autora do Blog ANDOMINHA (https://andominhas.blogspot.com.br) e escritora no blog Pra Florescer: psicologia e desenvolvimento humano (https://praflorescer.wordpress.com/sobre/). É encantada pelas questões do feminino e acredita que a poesia é uma associação livre, um grito que expõe a quem escreve e ao mesmo tempo cura sua alma, é terapêutica.

SAMANTHA ABREU
Samantha Abreu é professora em Londrina/Pr e estuda literatura de autoria feminina pela Universidade Estadual de Londrina. Já foi publicada em antologias e revistas, além de participar de debates, projetos e eventos literários. Lançou o livro de poemas “Fantasias para quando vier a chuva” (Orpheu, 2011) e o livro de contos “Mulheres sob Descontrole” (Atrito Arte, 2015). Integrou as antologias “O Fio de Ariadne” (Atrito Arte, 2014) e “29 de Abril: o verso da violência” (Ed Patuá, 2015) junto com autores contemporâneos de todo o país. Faz parte do coletivo VERSA, que divulga, organiza e dialoga com a escrita de autoras londrinenses. Seus textos poéticos foram adaptados para o teatro na montagem “Trouxe a chave para libertar sua tristeza”, da Cia AARPA.

VI KARINA
Em primeira pessoa
Costureira de palavras – aprendi com meu filho esses remendos do dizer, feito desenhos de escritos na gente. A palavra gruda mesmo muda. Fica dentro em poças – é como água: pode ser mansa, pode ser ressaca de mar, pode ser herança, relembranças… Trazem mudanças quando proferidas.
Gosto de olhar, me molhar delas.
Psicanalista, faz da profecia do outro poesia na própria vida.

VIVIAN CAMPOS
Vivian Campos é publicitária, apaixonada por literatura, e desde infância enxerga nas estrofes e parágrafos um canal para expressão de suas impressões sobre o mundo. Publicou seu primeiro livro de contos em 2016 (O Gato Comeu Sua Lua?) pela Editora Madrepérola, é autora do blog Naufrágio Literário (https://naufragioliterario.wordpress.com/) e integra o coletivo VERSA, organizado por autoras londrinenses com intuito de promover diálogo entre literatura (considerando produções próprias) e outros contextos artísticos.

_ LIVROS À VENDA no dia
“Mulheres sob Descontrole” (Atrito Arte, 2015), de Samantha Abreu. Preço: R$ 20,00
“O Gato comeu sua lua?” (Madrepérola, 2016), de Vivian Campos. Preço: R$ 25,00