Dokumenta: mostra de documentários será realizada de 20 a 23 de março

A produtora Kinopus promove de 20 a 23 de março de 2018 a primeira edição da DOKUMENTA, mostra de cinema dedicada a produções de não-ficção e filmes-ensaio. Idealizada pelo cineasta Rodrigo Grota, a mostra tem como objetivo a criação de um espaço privilegiado em Londrina para a reflexão sobre o cinema e suas formas expressivas. Serão exibidos 9 filmes, entre curtas, médias e longas, ao longo de quatro dias: todas as sessões são acompanhadas por um debate, contam com entrada franca, e serão realizadas no Centro Cultural Sesi (Praça 1º de Maio, 130, Centro), em Londrina.

A ideia da mostra surgiu de uma observação sobre a produção recente de filmes na cidade: “Começamos a notar que nos últimos anos Londrina tem produzido muito mais filmes de ficção. No último edital lançado pelo Governo do Paraná, dos 8 projetos aprovados de Londrina, 7 são ficcionais e apenas um de caráter documental. Pensando no contexto histórico, o cinema surgiu na cidade a partir da obra do documentarista Hikoma Udihara, que filmou Londrina por mais de três décadas. Além disso, a UEL conta com um curso de jornalismo tradicional e muito bem avaliado. Dessa forma, queremos estimular que um público maior se interesse pela linguagem do documentário e que mais realizadores de não-ficção possam surgir em nosso contexto local”, explica Rodrigo Grota.

A DOKUMENTA é uma iniciativa independente que surge principalmente do prazer de assistir a filmes e conversar sobre eles: “Nosso foco maior sempre foi produzir, mas também apreciamos o hábito de poder assistir a um filme em tela grande, sala escura, e depois comentá-lo com o público e amigos mais próximos. Nesse sentido, desde 2015 a Kinopus mantém um cineclube no Sesi, e em 2016 realizamos uma Mostra com os filmes do Buster Keaton em Curitiba”, avalia Guilherme Peraro, um dos produtores da DOKUMENTA.

Entre os filmes a serem exibidos nesta primeira edição estão Sem Sol, o clássico filme-ensaio de Chris Marker; dois exemplos de cinema direto focados em campanhas políticas para a presidência – Primárias, de Robert Drew, que observa a trajetória de Kennedy; e Entreatos, de João Moreira Salles, que lança luz sobre a eleição de Lula em 2002. Há também espaço para clássicos do documentário norte-americano, como Grey Gardens e On the Bowery, além de dois médias-metragens franceses: Noite e Neblina, de Alain Resnais, e La Jetée, de Chris Marker. Um dos destaques da DOKUMENTA é uma sessão homenagem para o documentarista londrinense Luciano Pascoal, que vai exibir e comentar quatro dos seus filmes, incluindo Solar Tatto, uma rara produção realizada em Cuba em 1995.

Todas as sessões contam com convidados especiais que irão comentar o filme junto ao público. Confiram a programação completa:

// Dia 20/03, terça
19h30 _ Sem Sol (1983, 100 min), de Chris Marker
Comentários dos pesquisadores Diego Giménez e Gustavo Ramos de Souza, ambos do curso de Letras da UEL
Classificação indicativa: 16 anos

// Dia 21/03, quarta
17h _ Noite e Neblina (1956, 32 min), de Alain Resnais + La Jetée (1962, 28 min)
Comentários de João Pedro Mussato e João Vítor Moreno, críticos de cinema
Classificação indicativa: 12 anos

19h30 _ Archibaldo: Cinema e Vestígios (2017, 13 min) + Solar Tatto (1995, 31 min)
Comentários de Luciano Pascoal, diretor dos filmes, jornalista, fotógrafo e professor da Pós em Cinema da Pitágoras
Classificação indicativa: 16 anos

// Dia 22/03, quinta
17h _ Primárias (1960, 60 min), de Robert Drew
Comentários de Auber Silva, jornalista e realizador
Classificação indicativa: 12 anos

19h30 _ Entreatos (2004, 117 min), de João Moreira Salles
Comentários de Alberto Klein, professor do curso de Jornalismo da UEL
Classificação indicativa: 12 anos

// Dia 23/03, sexta
17h _ On the Bowery (1956, 65 min), de Lionel Rogosin
Comentários de Carlos Fofaun Fortes, diretor de cinema, formado em Filosofia
Classificação indicativa: 16 anos

19h30 _ Grey Gardens (1975, 94 min), de Albert Maysles, David Maysles, Ellen Hovde e Muffie Meyer
Comentários de Thiago Ramari, professor do curso de Jornalismo da UEL
Classificação indicativa: 14 anos

DOKUMENTA 01 – Mostra de filmes de não ficção & ensaio
De 20 a 23/03 de 2018
Centro Cultural Sesi (Praça 1º de Maio, 130, Centro), em Londrina
Entrada franca em todas as sessões (sujeito à lotação do espaço)
Idealização e Curadoria: Rodrigo Grota
Produção e Mediação: Guilherme Peraro & Rodrigo Grota
Apoio Cultural: Sesi Cultura Londrina
Realização: Kinopus

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Estação Londrina debate o livro Escândalos da Província, de Edison Maschio

A 9º edição do projeto Estação Londrina vai promover uma discussão sobre o primeiro romance totalmente escrito, ambientado e publicado na cidade de Londrina: o livro “Escândalos da Província“, do jornalista e escritor Edison Maschio. Lançado originalmente em 1959 a partir de uma tiragem de 2 mil exemplares, o livro ganhou nova edição em novembro de 2011 inaugurando a coleção Doc.Londrina da editora Kan. O debate será realizado na próxima quarta-feira, dia 12 de julho, a partir das 19h30, no Museu Histórico de Londrina, com entrada franca e presença do autor, hoje com 83 anos de idade. A mediação será do jornalista Felipe Melhado e do professor Frederico Fernandes, do Departamento de Letras da Universidade Estadual de Londrina.

Sobre o romance
“Romance satírico”, na avaliação do historiador Tony Hara, Escândalos da Província teria gerado uma grande confusão ao ser lançado no final dos anos 1950. O seu autor recebeu ameaças de morte, a polícia quis apreender parte da publicação; o que contribuiu para que os 2 mil exemplares lançados se esgotassem em poucos dias. De acordo com o texto de Hara e Marcos Losnak no prefácio da obra relançada há 6 anos, “Escândalos da Província pode ser lido como uma coletânea de faits divers que atiçaram a curiosidade dos leitores londrinenses na década de 50. Há no romance a narração de episódios reais que entraram para a história não-oficial da cidade de Londrina. O desfile das prostitutas carecas em plena luz do dia, na Avenida Paraná; o crime do juiz Ismael Dorneles de Freitas, assassino confesso do advogado Alcides Tomazetti; o caso das calcinhas encontradas debaixo dos cafezais ao lado do Country Club após um animado baile de carnaval. Esses episódios extraordinários se misturam a outros relatos que também soam por demais inverossímeis. A dúvida fica no ar. E esse é um dos trunfos dos faits divers, trafegar entre os fatos reais e o exagero sensacionalista.

Sobre o Autor
De acordo com Hara e Losnak, “Edison Maschio nasceu em Assis (SP), no dia 23 de novembro de 1933. Sua família se mudou para Londrina em 1938 para trabalhar na zona rural. Aos 16 anos, Maschio morava em Londrina e era funcionário de um cartório. Foi preenchendo certidões, procurações e contratos que o rapaz foi iniciado no quem é quem da cidade. O seu primeiro texto publicado em um jornal foi, literalmente, uma piada. Maschio ganhou um concurso promovido pelo jornal satírico A Carapuça em 1949. Victor Bosso, proprietário de A Carapuça e também da Gazeta Esportiva, convidou o jovem de 17 anos para fazer a cobertura do esporte amador londrinense. A partir daí, o jornalismo entrou definitivamente na vida de Maschio. Com o fechamento da Gazeta do Norte em 1961, Maschio atuou em pequenos e efêmeros jornais da cidade, além de escrever textos para o rádio e para o cine-jornal Atualidades Paranaenses, do cineasta Renato Melito. Editou a revista A Vanguarda e um jornal com o mesmo título. Mais tarde, em 1968, fundou O Diário de Londrina que durou até o ano de 1973. Nesta época, ele criou também a Revista Paraná Policial. Nas décadas de 70 e 80 redigiu e editou jornais para inúmeros sindicatos, como por exemplo, dos Bancários, dos Metalúrgicos e da Construção Civil. Foi um dos pioneiros em Londrina daquilo que passou a ser chamado de Imprensa Sindical. Na década de 80, Edison Maschio publicou sete álbuns que traziam breves biografias de cidadãos ilustres e dados sobre a realidade social e econômica do município. Um dos títulos mais conhecidos desse gênero é o livro Londrina: 60 Anos. Em meio a essas obras que reproduziam o discurso oficial sobre a cidade, a sua verve crítica veio à tona novamente com a publicação de seu segundo romance, Raposas do Asfalto (1984). Esta obra pode ser considerada uma continuação de Escândalos da ProvínciaO jornalista Edison Maschio ainda hoje atua como colaborador na imprensa londrinense. É, seguramente, o mais antigo jornalista em atividade em Londrina. Pequenos fragmentos dessa longa história foram reunidos num livro intitulado Histórias Ocultas, publicado pelo autor em 2010″.

Sobre o projeto Estação Londrina
Criado em 2016 sob a coordenação do professor e pesquisador Frederico Fernandes (Letras/UEL), Estação Londrina é um projeto de extensão da UEL, conta com recursos da CNPq, e tem como objetivo promover e discutir a produção cultural da cidade. De 2016 pra cá já foram realizados 8 encontros, discutindo temas relacionados à história, política, economia, literatura, cinema, fotografia, games e música de Londrina. Entre os convidados, participaram do projeto os jornalistas Tony Hara, Patrícia Zanin e Fábio Cavazotti, os fotógrafos Saulo Haruo Ohara e Guilherme Gerais, o cineasta Caio Júlio Cesaro, o professor canadense Tamer Thabet, as escritoras Beatriz Bajo, Flavia Verceze, Samantha Abreu, Vi Karina e Vivian Campos, entre outros nomes da cultura local. Em todas as edições do projeto a entrada é franca.

O Museu Histórico de Londrina fica na Rua Benjamin Constant, 900, no centro de Londrina. O evento tem entrada franca e é aberto a todos os interessados.

Sessão Kinopus exibe Citizenfour

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O projeto Sessão Kinopus, uma parceria entre a produtora londrinense Kinopus e o Sesi Cultura Londrina, promove nessa terça, a partir das 19h30, a exibição de Citizenfour, filme que já conquistou mais de 40 prêmios, incluindo o Oscar de Melhor Documentário de longa-metragem desse ano. Dirigido por Laura Poitras,  o filme é construído a partir dos encontros que a diretora tem com Edward Snowden em Hong Kong a partir de junho de 2013. A Sessão Kinopus tem entrada franca e será realizada no Centro Cultural Sesi/AML (Praça 1º de Maio, 130, Centro, em frente à Concha Acústica), em Londrina. Após a sessão, haverá um bate-papo com o público mediado pelo cineasta e jornalista Rafael Ceribelli.

Fotógrafo Guilherme Gerais lança o livro Intergalático no Paraty em Foco

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O fotógrafo londrinense Guilherme Gerais lança o livro de fotografia Intergalático nessa quinta, dia 25,  na 10ª edição do Festival Internacional de Fotografia Paraty em Foco. O lançamento ocorrerá na Casa Paraty a partir das 20h. Nesse mesmo dia lançam livros também os fotógrafos David Alan Harvey, Isabela Senatore, Lisete Guerra, Calé, Ana Rodrigues e Hans Georg.  Intergalático foi lançado no dia 10 de setembro em Londrina e conta com o patrocínio do Promic – Programa Municipal de Incentivo à Cultura.

Fotógrafo Guilherme Gerais lança livro ‘Intergalático’ em Londrina no dia 10

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Por Rodrigo Grota

INTERGALÁTICO, livro de estreia do fotógrafo brasileiro Guilherme Gerais, é uma espécie de ensaio literário visual. Composto por uma narrativa em preto-e-branco repleta de fotografias, ilustrações e pequenos vestígios, o livro se apresenta como um mapa, um guia, uma trilha para uma jornada ritualística, mas com um ponto de partida enigmático: um espaço ausente, embora anterior.

Registradas ao longo de quatro anos (2011-2014) em cidades como Londrina, Capadócia, Praga e Istambul, essas imagens se alternam sob uma ordem que pressupõe uma participação imediata do leitor/espectador: desde o início há o convite para um jogo, um desenlace, um desafio entre aquilo que é visto e aquilo que permanece. A estratégia, nesse caso, articulada de forma espontânea pelo fotógrafo, aponta sempre para o acaso, a desordem, a primariedade de uma suposta vida prévia – algo que se divide entre o espaço terrestre e o universo virtual, uma viagem que seria para o passado, mas é também para o futuro (matéria líquida).

A estrutura que define esse percurso é sempre múltipla: há colagens, registros, releituras, tramas, efeitos, anulações, além da nitidez e da granulação que evocam atmosferas superiores, unidades invisíveis, sempre sob uma sutil tendência ao trágico: “As imagens são, para mim, sempre algo que não pude encontrar”, diz o fotógrafo nascido em Londrina em 1987, com trabalho já sólido no Cinema, e com uma linguagem que se aproxima de uma estética do desaparecimento: “aquilo que não consigo ver, talvez, eis um caminho possível”.

Com ilustrações do artista gráfico Arthur Duarte, e projeto gráfico do próprio fotógrafo, INTERGALÁTICO também parte do pressuposto que qualquer narrativa visual oferece sempre um segredo, um desejo que não se revela por inteiro, mas que está sempre presente. Dessa forma, a abertura para um imaginário espacial, repleto de tecnologias já abandonadas, reforça essa tese de que o mundo em que se vive é sempre o mundo em que se cria: estar vivo como algo próximo de estar em constante fabulação.

As pistas apresentadas pelo livro, uma disposição que nos remete a jogos de tabuleiro, sempre indica essa possibilidade existencial de que o herói, no fundo, é sempre a negação de si mesmo: estar disposto a se lançar ao mundo é estar disposto a se perder. E a fuga, esse sonho ancestral, reina absoluta como única forma de desafiar esse auto-conforto, essa zona de segurança que invariavelmente reconhecemos como nossa identidade.

O que as imagens nos sugerem, portanto, além de uma intensa e silenciosa mutilação, é a notável e afetuosa notícia de que somos no fundo apenas aquilo que se oculta, aquela mágica idéia de não-aparência que só pode ser tocada quando a música se reinicia. E INTERGALÁTICO, o livro, justamente se nutre desse poder: ele recomeça em cada imagem para nos devolver sempre a uma origem do mundo, não o nosso mundo, que fique claro – mas o universo único desse herói, desse ente não identificável que atravessa as 184 páginas dessa publicação como alguém que está refletindo sobre a sua busca, buscando o que não se reconhece.

Godard, o cineasta, dizia que os espelhos deveriam pensar antes de nos devolver uma imagem: INTERGALÁTICO mostra como esse pensamento deveria ser – inconcluso, multiforme, impreciso e indigesto, pois a jornada sem identidade é quase como um espectro – você pode ver, mas nunca tocar: eis o jogo.

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Lançamento do livro INTERGALÁTICO

Serviço:
Dia: 10 de setembro ( quarta-feira ) às 19h30.
Local: Maquinótico | Av. Garibaldi Deliberador, 714
O livro será vendido por R$ 50,00 e especialmente nesse dia cada exemplar virá com um poster grátis.

Ficha Técnica
Fotografia.: Guilherme Gerais
Ilustração.: Arthur Duarte
Texto.: Rodrigo Grota
184 páginas | 20 x 30 cm | Preto e Branco
ISBN: 978-85-917523-0-0

Patrocínio:
PROMIC – Programa Municipal de Incentivo à Cultura

Um dramaturgo no calçadão – entrevista com o dramaturgo Plínio Marcos

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Por Rodrigo Grota

Um homem tranqüilo passeia pelo calçadão de Londrina. Sorri do infortúnio alheio, e lembra alguns parentes que estão na cidade. “Tem mulher bonita por aqui, né?”. O repórter, ainda no segundo ano de jornalismo, gosta dessa informalidade do entrevistado, um dos dramaturgos mais respeitados do País. Passeiam pelo centro da cidade e observam as qualidades essenciais de uma garota.

Em agosto de 1998, Plínio Marcos visitou Londrina para conferir a estréia de “Abajur Lilás”, texto de 1970, encenado pelo grupo de teatro londrinense Boca de Baco. Entre uma piada e outra, o dramaturgo concedeu esta entrevista, poucos meses antes de sua morte, em 29 de novembro de 1999.

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Machado de Assis costumava dizer: “As idéias são como as nozes, e até hoje, não descobri melhor processo para saber o que há dentro de umas e outras senão quebrá-las”. Como é o seu processo criativo?
Não tenho processo criativo. Às vezes eu escrevo, às vezes não escrevo. Às vezes eu trabalho, às vezes nem tô ligando. Quando me apresentam algum trabalho, eu faço. Não tenho nenhum processo criativo.

O país em que vivemos apresenta muitos problemas sociais. Qual seria o papel da arte popular, que é o que você faz, em um país como o nosso?
Eu não faço arte popular. A arte popular vem de baixo. Eu faço arte popularesca. Eu vejo assim: eu não moro em favela, nem vivo com o povão. Existem quatro tipos de cultura. A cultura erudita, que é esta que vocês aprendem na faculdade. A cultura de massa, que é esta bosta que destrói tudo: a televisão, o rádio, essas coisas todas. A cultura popularesca, que é essa que a gente faz. E a cultura popular, que é a do pessoal que não teve acesso à cultura.

Você teve muitos problemas com a questão dos direitos autorais. Como está a situação hoje?
Isso é uma praga no mundo inteiro. Agora mesmo nós estivemos na França, eu e minha mulher, e tinha uns caras que queriam editar o “Dois Perdidos numa Noite Suja” em francês, sem pagar direitos autorais. É um vexame. Todo mundo tem problema com isso. Todos os artistas.

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Inúmeras peças suas, como “Dois Perdidos numa Noite Suja” e “Navalha na Carne”, foram adaptadas para o cinema. Você gostou do resultado?
De algumas sim, de algumas não. Geralmente os caras querem enfeitar demais, aí o filme fica ruim. O último filme que fizeram, aquele que era com a Vera Fischer, eu gostei. Ela é boa atriz. Aquele rapaz, sobrinho do Oscarito, também é bom. Só não gostei do cubano. Não entendi por que precisaram trazer aquele cara com tanta gente boa por aqui.

E o humor que é feito hoje no Brasil – você gosta?
No geral, tem muita coisa ruim. Eu gosto de alguns. Tem o Luis Fernando Verissimo, que é um cara encantador. Eu vou pra Porto Alegre, e sempre vou na casa dele. A gente fica conversando, eu, ele e a mulher dele, e ele não abre a boca. Só fica dando risada a tarde inteira. É um cara muito inteligente. Ele sabe fazer humor. O humor tem que ser sutil, suave. São frases espirituosas, sacadas. Não pode ser explícito. Outro cara legal é o Millôr Fernandes. Tem sacadas geniais.

E literatura – quais são os seus autores preferidos?
Eu gosto muito do Jorge Amado. Ele é maravilhoso. Gosto também do Machado de Assis. Só pra efeito de ilustração, eu sou do tempo dele.

Nos anos 60, todo mundo criticava o Nelson Rodrigues, dizendo que faltava engajamento político em suas peças. O senhor era o único que ainda se dizia fã do Nelson. Qual era a sua relação com ele?
Eu gosto muito do Nelson Rodrigues. Era uma pessoa extraordinária. Li muito suas peças. Esse lance de ter engajamento político ou não era uma besteira. O problema é que ele fez a revolução no teatro brasileiro, esqueceram isso de sacanagem, porque ele não queria ser filiado à esquerda. Gostava muito dele. Ele era dez. Li todas peças dele. Mas eu gostava mesmo era das crônicas. Aquela “A Vida Como Ela É”, fantástico. E ele foi meu amigão. A gente sempre se encontrava quando eu ia pro Rio. E ele era zoador. Ele virava pra mim e dizia: “Plínio, tão dizendo que eu não sei fazer teatro! Aquele Zé Celso, Plínio. Você conhece ele? Ele tem a profundidade de uma formiga. Sabe o Dias Gomes? Tão dizendo que ele é o melhor dramaturgo brasileiro hoje em dia. Plínio, ele não consegue ser melhor nem na casa dele, porque tem a Janete Clair.” Ele tinha um espírito formidável.

Plínio, pra finalizar, o que você anda fazendo e quais são os seus projetos?
Estou escrevendo um livro de contos, chamado “A Crônica dos Pequenos Artistas”. É sobre pessoas que trabalharam comigo. No circo, na rua. Alguns amigos. E minha mulher tá fazendo um trabalho de compilação de todas as minhas peças para a Funarte. Se a minha mulher trabalha, eu não preciso trabalhar, né, porra!