Documentário sobre Assalto ao Banestado tem pré-estreia no dia 21/11

O documentário “Isto (não) é um Assalto” (2018, 100 min), uma produção da Kinopus com direção de Rodrigo Grota, terá sua pré-estreia no dia 21/11, quarta-feira, às 20h, na Sala 5 dos Cinemas Lumière, no Royal Plaza Shopping em Londrina. Produzido por Guilherme Peraro, o filme mostra o mais longo sequestro de um grande número de pessoas na história criminal brasileira. No dia 10/12/1987, sete homens invadiram a agência central do maior banco de Londrina, mantendo mais de 300 pessoas como reféns ao longo de sete horas. Do lado de fora, cerca de 5 mil pessoas começaram a gritar a favor dos bandidos contra o governo Sarney. Os assaltantes exigiram 30 milhões de cruzados que foram colhidos de banco em banco. Após horas de negociação, a quadrilha fugiu com um valor aproximado do exigido, levando 14 reféns. Após um semana de fuga, seis dos sete assaltantes foram presos: apenas Barba nunca fora localizado. Trata-se do primeiro dos dois filmes que a Kinopus vai produzir sobre o assalto ocorrido em Londrina em 1987. Este primeiro filme é um documentário; já o segundo, o longa “Isto é um Assalto”, será um filme de ficção.

A ideia para a realização do filme surgiu há 20 anos, revela o diretor Rodrigo Grota: “Em 1998, quando era estudante de Jornalismo na UEL, conheci o Paulo Ubiratan, que já era uma espécie de lenda do jornalismo local. Ele me contou do Assalto, de todas as suas contradições e singularidades. Sabendo que eu gostava de cinema, ele me disse: ‘Guri, um dia você tem que fazer um filme sobre esse assalto'”. Durante o Assalto, o jornalista Paulo Ubiratan entrou na agência e iniciou uma negociação para liberação de reféns. O repórter ainda foi um dos 14 reféns que foram levados pelos assaltantes na fuga pela estrada para São Paulo.

Em 2012, dois anos após o falecimento de Paulo Ubiratan, Grota retomou o projeto: “A ideia inicial era fazer um longa de ficção. Para fazer o longa, teríamos de fazer uma extensa pesquisa. Daí naturalmente concluímos que valia a pena produzirmos um documentário antes de mergulharmos na versão ficcional”. Com pesquisa de Roberta Takamatsu, assistência de direção dos jornalistas Lucas Pullin e Rafael Ceribelli, e assistência de produção de João Mussato e Renata Cabrera, a equipe entrevistou mais de 50 pessoas relacionados a esse episódio histórico. “A nossa ideia era apresentar o episódio sob o ponto de vista dos assaltantes, dos reféns, dos policiais, da imprensa e da população, criando um mosaico amplo e variado deste que é um dos episódios mais importantes da história da cidade”, avalia Guilherme Peraro, que além de produtor, também é co-diretor de fotografia do filme, ao lado de Grota.

Entre as entrevistas, destaque para os escritores Domingos Pellegrini Jr. e Rogério Ivano, os jornalistas José Maschio, Nicéia Lopes e Raquel Rodrigues, os policiais Paulo Magalhães, Pedro Marcondes, Wanderci Corral Fernandes, os gerentes do Banestado José Cotello e Walter Rosa, os familiares do jornalista Paulo Ubiratan: Tânia Prado (viúva) e Bruno Ubiratan (filho), além de inúmeras vítimas do Assalto que narram a história a partir do seu ponto de vista. A pesquisa se iniciou em 2015 – as primeiras entrevistas foram realizadas em 2016. Entre 2017 e 2018, foram concluídas as etapas de entrevistas e pesquisa por material de arquivo: “Tivemos dificuldade em encontrar imagens de arquivos do final dos anos 1980 de Londrina. Curiosamente temos hoje mais imagens restauradas e acessíveis dos anos 1950 e 1960 do que dos anos 1970 e 1980 em Londrina. Nesse sentido, foram essenciais as parcerias com alguns veículos de comunicação da cidade – conseguimos amplo material de arquivo do Assalto na RPC TV Londrina (afiliada da TV Globo), da Folha de Londrina, e das rádios Paiquerê e CBN Londrina. Utilizamos também acervo que já havia sido restaurado pela Kinopus em projetos anteriores, e o acervo de fotógrafos como Christian Steagall-Condé e Milton Doria”, explica o produtor Guilherme Peraro.

Outro destaque do filme é uma entrevista inédita com Moreno, o líder dos assaltantes. Preso em 1987, ele raramente comentou o episódio com a imprensa, o que motivou muitas especulações sobre a motivação do Assalto. Após uma negociação de 6 meses, Moreno aceitou conversar com a produção do filme, mas com uma restrição: não queria gravar uma entrevista para a câmera – a entrevista seria apenas com um gravador. Ao longa da conversa de mais de 4 horas, Moreno comenta a sua infância, a passagem por um orfanato, o início no mundo do crime, e os bastidores dos principais momentos do Assalto.



Isto (não) é um Assalto” é o segundo longa-metragem da produtora Kinopus, que também está distribuindo o filme. Na equipe do documentário, alguns parceiros habituais da produtora, como o músico Rodrigo Guedes, das bandas Grenade e Killing Chainsaw – ele criou 13 músicas específicas para o filme com a colaboração de Adauto Mang, do Mudcracks. O cartaz do filme foi criado pelo trio de designers Guilherme Gerais, Marcus Bellaver e Pablo Blanco. A direção de arte é de Guilherme de Martino. A edição das entrevistas é de Flávia Fodra, que contou com assistência de montagem de João Vítor Moreno. O filme ainda conta com Som Direto de Bruno Bergamo, Pós-Produção de Som de Felipy Andrade & Otávio Santos (Overdub), DCP de William Biagioli, e Pós-Produção de Imagem de Guilherme Delamuta.

// FICHA TÉCNICA

Sinopse
No dia 10/12/1987, sete homens invadiram a agência central do maior banco de Londrina, mantendo mais de 300 pessoas como reféns ao longo de 7 horas. Do lado de fora, 5 mil pessoas começaram a gritar a favor dos bandidos contra o governo Sarney. Trata-se do sequestro mais longo de um grande número de pessoas no Brasil. Os bandidos exigiram 30 milhões de cruzados que foram colhidos de banco em banco. Após horas de negociação, a quadrilha fugiu com um valor aproximado do exigido, levando 14 reféns. O filme apresenta o assalto sob o ponto de vista dos assaltantes, dos reféns, dos policiais, da imprensa e da população.

Entrevistados
Ana Paula Nascimento, Aníbal Vieira da Cruz, Bruno Ubiratan, Carlos Júnior Scarpelin, Célia Honjo, Christian Steagall-Condé, Delvair Dias de Camargo, Domingos Pellegrini, Edeval Moreno Milan, Edson Holtz, Edson Ribeiro Lopes, Elisângela da Silva Harber, Fábio Cavazotti, Jorge Natsuaki, José Cotello, José Maschio, Josoé de Carvalho, Jurandir Gonçalves André, Loriane Comelli, Luiz Augusto dos Santos (Borracha), Marcelino Barbosa, Márcia Borges, Margarida das Graças Silva, Maria Helena Nogueira de Lucas, Marilice Camargo Machado, Marlene de Camargo Machado, Maurício Kalau Gonzales, Maurício Sanches, Milton Doria, Moreno, Nicéia Lopes, Paulo Magalhães, Pedro Garcia Lopes, Pedro Marcondes, Pedro Roberto Ferreira, Raquel Rodrigues, Ricardo Spinosa, Rogério Ivano, Sônia Andrade,Tânia Prado, Teresinha Cecília de Andrade Rosa, Valdecir Saturnino Flor, Valdir Donizeti, Vera Faria de Oliveira, Walter Rosa, Wanderci Corral Fernandes, Wilton Antunes Ramos, e Yolanda Kameo.


Equipe

Direção, Roteiro e Montagem: Rodrigo Grota
Produção e Direção de Fotografia: Guilherme Peraro
Pesquisa: Roberta Takamatsu
Trilha Sonora: Rodrigo Guedes
Colaboração na Trilha Sonora: Adauto Mang
Direção de Arte: Guilherme de Martino
Edição: Flávia Fodra
Edição de Som e Mixagem: Felipy Andrade & Otávio Santos
Som Direto: Bruno Bergamo
Assistentes de Direção: Lucas Pullin e Rafael Ceribelli
Assistente de Pesquisa: João Mussato e Renata Cabrera
Assistente de Montagem: João Vítor Moreno
Secretária de Produção (Kinopus): Rafaela Pifer
Cartaz & Lettering: Guilherme Gerais, Marcus Bellaver & Pablo Blanco
Pós-Produção de Imagem: Guilherme Delamuta
DCP: William Biagioli
Produção: Kinopus
Patrocínio: Prefeitura de Londrina via Promic – Programa Municipal de Incentivo à Cultura

Mais informações
https://www.facebook.com/assaltoaobanestado/

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Sessão Kinopus exibe Eraserhead, de David Lynch, no dia 13/11

Sessão Kinopus exibe no dia 13 de novembro, no Centro Cultural Sesi – Associação Médica De Londrina (Praça 1º de Maio, 130, Centro – em frente à Concha Acústica) a partir das 19h, o filme Eraserhead (1978, 89 min), o primeiro longa do realizador americano David Lynch (1946), um dos grandes nomes do cinema de invenção contemporâneo, conhecido por filmes como Blue Velvet (1986), Estrada Perdida (1997) e Mulholland Drive (2001). A exibição celebra os 40 anos do lançamento comercial desse filme e conta com entrada franca – os ingressos podem ser retirados com 1 hora de antecedência no local. Logo após a sessão haverá um debate com a presença de dois especialistas na obra de Lynch: a diretora de arte Louisa Savignon e o roteirista e diretor Auber Silva, ambos do curta Nigredo. A classificação indicativa é para maiores de 16 anos.

Sobre Eraserhead
Henry Spencer vive em uma cidade industrial, em meio à fumaça, ao barulho e a prédios abandonados. Nesse cenário desolador, ele tem estranhas visões enquanto tenta sobreviver à raiva da namorada, Mary X, e aos gritos incessantes de seu filho recém-nascido, uma criança mutante. Preservado pelo Museu de Arte Moderna de Nova York com financiamento de Hollywood Foreign Press Association e The Film Foundation. Em seu primeiro longa-metragem, David Lynch já demonstrava o que viria a ser no mundo cinematográfico. Para muitos, inclusive é o melhor filme de sua carreira.

Sobre Lynch
Nasceu nos Estados Unidos em 1946. Estudou pintura e começou no cinema nos anos 1960, com curtas experimentais como The Alphabet (1968) e The Grandmother (1970). Seu primeiro longa-metragem foi Eraserhead. Durante a carreira recebeu três indicações ao Oscar de direção, por O Homem Elefante (1980), Veludo Azul (1986) e Cidade dos Sonhos (2001). Ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes com Coração Selvagem (1990). Também dirigiu os longas Duna (1984), Estrada Perdida (1997), História Real (1999) e Império dos Sonhos (2006). Na década de 1990, criou a série Twin Peaks, que também deu origem ao longa Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer (1992).

Trailer

Criada em abril de 2015, a Sessão Kinopus é uma iniciativa da produtora Kinopus com apoio do Sesi Londrina e tem como objetivo trazer a Londrina filmes que não chegaram ao circuito comercial, promover estreias de filmes locais, além de contribuir para a formação de público e estimular a reflexão sobre o cinema, sua linguagem e a sociedade. Todas as sessões contam com entrada franca. A exibição do filme Eraserhead será a 34ª edição do projeto. A SK ficará de recesso por 3 meses e só voltará em março de 2019.

Kinopus recebe inscrições de estagiários para o projeto Dramátika

A produtora Kinopus recebe até a próxima segunda-feira, dia 22/10, currículos de interessados em participar do Núcleo de CineDramaturgia Dramátika, uma iniciativa da produtora em parceria com o Sesi Cultura Paraná. O Dramátika prevê a produção de uma peça e de um longa-metragem de 75 minutos aproximadamente com data de estreia em Londrina para os dias 07/12 (versão teatro) e 08/12 (versão cinema). Os interessados devem manifestar interesse nas áreas de cenografia, iluminação e/ou figurino, e enviar um email com seu currículo para info@kinopus.com.br, deixando claro (por ordem de preferência) as suas áreas de interesse. O resultado será divulgado na terça, dia 23/10, na página da Kinopus em suas redes sociais (Facebook e Instagram). Os alunos selecionados terão direito a um certificado de 60 horas a ser emitido pelo Sesi Londrina, e irão participar das filmagens do projeto nos dias 03, 05, 06 e 07/11, além da encenação teatral nos dias 06 e 07/12. Para esse projeto serão abertas 12 vagas – não é obrigatório ter experiência comprovada na área para se inscrever. A única restrição é a idade mínima de 18 anos para cada interessado.

Sobre o Dramátika
Idealizado e coordenado pelo cineasta Rodrigo Grota, Dramátika é um Núcleo Criativo que tem como objetivo investigar as relações entre cinema e teatro em uma linguagem não-realista: 17 atores integram o projeto desde março, tendo realizado 5 leituras dramáticas e participado dos ensaios de 5 cenas escritas e dirigidas pelo coordenador do projeto, Rodrigo Grota, e outros 4 diretores convidados: Guilherme Peraro, Jackeline Seglin, Marina Stuchi e Renato Forin Jr. O projeto ainda conta com direção de fotografia e iluminação teatral de Anderson Craveiro, direção de arte e cenografia de Julio Vida, figurinos de Thais Blanco, produção executiva de Guilherme Peraro, direção de produção de Rafaela Pifer, assistência de Coordenação Geral de Laura Lopes, montagem de João Vítor Moreno, entre outros profissionais que devem integrar o projeto até a sua fase final em dezembro.

Sobre a Kinopus
Criado em abril de 2004, a Kinopus já produziu 2 longas, 2 séries de TV, e uma série de filmes de média e curta-metragem, conquistando mais de 60 prêmios em festivais nacionais e internacionais. Coordenada pelos cineastas Guilherme Peraro e Rodrigo Grota, a produtora conta ainda com projetos de formação (Oficinas Kinopus), exibição (Sessão Kinopus, Mostras) e preservação. Em 2019, a Kinopus irá rodar o seu 3º longa-metragem: o filme sci-fi Passagem Secreta.

Sessão Kinopus exibe 4 curtas londrinenses nessa terça, dia 9

Sessão Kinopus exibe nessa terça, dia 9 de outubro, quatro curtas dirigidos por realizadores de Londrina: os filmes Paulo Menten (2009, doc, 9 min), de Wagner Munhê; Rubras Mariposas (2013, fic, 18 min), de Anderson Craveiro; Grünstadt (2018, fic, 19 min), de Celina Becker; e A Manicure (2018, fic, 13 min), de Marina Stuchi. Os quatro curtas contam com direção de fotografia de Anderson CraveiroLogo após a sessão haverá um debate com as realizadoras presentes com mediação de Rodrigo Grota.

A 33ª edição do projeto Sessão Kinopus será realizada a partir das 19h, no Centro Cultural Sesi – Associação Médica De Londrina (Praça 1º de Maio, 130, Centro – em frente à Concha Acústica), e conta com entrada franca – os ingressos podem ser retirados com 1 hora de antecedência no local. A classificação indicativa é para maiores de 14 anos.

Leste Oeste é selecionado para a Mostra Sesc de Cinema

O filme Leste Oeste, primeiro longa-metragem londrinense, está entre os 34 filmes escolhidos para integrar a 2ª edição da Mostra Sesc de Cinema deste ano, que será realizada em outubro no Rio de Janeiro e vai distribuir um total de R$ 533 mil em prêmios, além de promover a circulação nacional dessas produções. Leste Oeste, uma realização da Kinopus com direção de Rodrigo Grota e produção de Guilherme Peraro, é um dos dois longas-metragens escolhidos do Sul do Brasil.

Ao todo, foram 1061 inscritos (952 curtas e 109 longas), dos quais 34 selecionados. As produções selecionadas ganham o licenciamento para exibição pública nacional nas unidades do Sesc e em instituições parcerias. Os selecionados concorrem ainda a prêmios de destaque em sete categorias: direção, roteiro, direção de fotografia, montagem, direção de atores, som e direção de arte. A realização da Etapa Nacional da Mostra deve ocorrer no Rio de Janeiro no dia 16/10 no Sesc Tijuca, junto com a exibição na íntegra dos 34 filmes; concluindo com a premiação no dia 26/10, também no Sesc Tijuca. A partir de novembro, os demais Estados também realizarão a Mostra.  Em março deste ano, Leste Oeste já havia conquistado três premiações na Etapa Estadual da Mostra Sesc de CinemaMelhor Direção de Fotografia (para Guilherme Gerais), Melhor Direção de Arte (para José de Aguiar) e Melhor Desenho de Som (para Alexandre Rogoski).

Sobre o filme Leste Oeste
A trama de Leste Oeste acompanha o percurso de Ezequiel, um piloto de testes que retorna à sua cidade natal após 15 anos. Interpretado pelo ator gaúcho Felipe Kannenberg (Menos que Nada), Ezequiel reencontra três figuras do seu passado: Stela, um antigo affair da juventude, interpretada pela atriz paulista Simone Iliescu (RiocorrenteCores); Angelo (José Maschio), o patriarca da família, o pai com o qual Ezequiel nunca se entendeu; e Pedro, 16 anos, jovem que sonha em ser piloto profissional, interpretado pelo piloto londrinense Bruno Silva. Produzido com patrocínio da Prefeitura de Londrina via Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura), e com o apoio de mais de 40 empresas locais, Leste Oeste é o primeiro longa-metragem feito em Londrina com equipe local e elenco em grande parte londrinense.

Estreia no circuito comercial
Rodado em novembro e dezembro de 2014, Leste Oeste conquistou 8 prêmios desde que foi exibido pela primeira vez em 7 de maio de 2016, em Recife, incluindo premiações nos EUA, Holanda e México), além dos prêmios de Melhor Atriz (para Simone Iliescu) e Melhor Ator (para Felipe Kannenberg) no Cine Pe – Festival Audiovisual de Pernambuco. O filme foi exibido em 20 cidades brasileiras e em 7 países (Colômbia, EUA, Holanda, Índia, Inglaterra, México e Polônia). Ainda no 2º semestre desse ano, o filme deve estrear nas salas de cinema em Circuito Nacional com distribuição da própria Kinopus. A produtora/distribuidora foi contemplada no Edital de Arranjos Regionais do FSA/Ancine/BRDE promovido em parceria com o Governo do Paraná em 2017. 

Equipe
Leste Oeste conta com roteiro, direção e montagem de Rodrigo Grota (Trilogia do Esquecimento), produção executiva de Guilherme Peraro, direção de produção de Roberta Takamatsu, direção de fotografia de Guilherme Gerais, direção de arte de José de Aguiar, trilha sonora de Rodrigo Guedes, figurinos de Mayhara Nogueira, desenho de som de Alexandre Rogoski, som direto de Bruno Bergamo, maquiagem de Evelise Chaiben, projeto gráfico de Yan Sorgi, assistência de direção de Rafael Ceribelli, Carlos Fofaun e João Mussato, assistência de produção de Marina Stuchi e Lucas Pullin, assistência de som direto de Eduardo Lopes Touché e Giovani Nori, assistência de arte de Camila Melara & Hígor Mejïa, e assistência de fotografia de Gustavo Nakao, Arthur Ribeiro, Ricardo Costa Barros (Carioca), Elizeo Garcia (still) e Lucas Meyer (câmera adicional).

Como fazer cinema, por Alejandro Jodorowsky

Cena do filme Fando y Lis (1968), de Alejandro Jodorowsky


1. PRIMEIRA LIÇÃO

Sentar-se do amanhecer ao anoitecer na frente de uma árvore sentindo a luz. Voltar por sete dias seguidos e fazer o mesmo.

2. SEGUNDA LIÇÃO
Voltar à noite com uma lanterna e iluminar a árvore por infinitos pontos distintos.

3. TERCEIRA LIÇÃO
Colocar-se a um quilômetro da árvore. Olhar para ela fixamente e avançar centímetro por centímetro em direção a ela até que, depois de algumas horas, se choque o tronco com o nariz. (As duas primeiras lições servem para desenvolver o sentido da luz. A terceira para desenvolver o sentido da distância).

4. QUARTA LIÇÃO
Colocar-se em um interior ou paisagem e mover-se pensando que seu próprio peito fotografa, depois pensando que a sua cara fotografa, depois o sexo, depois as mãos.

5. QUINTA LIÇÃO
Coloque-se em um lugar e sinta que você é o centro dele. Logo sinta que está sempre na superfície ao redor do lugar. Ao final rompa a idéia de centro e superfície. Está aí, tudo está em você e fora de você ao mesmo tempo. Você é a parte do lugar. Existe o lugar. Você desapareceu!

6. SEXTA LIÇÃO
Procurar a cor que não tem cor. Pegue uma página branca e veja suas cores. Pegue uma página preta e veja suas cores. Veja as cores de um vidro transparente. Descubra o arco-íris em um pedaço de terra, em um cuspe, em uma folha seca. Expresse a cor com materiais sem cor. Na verdade lhe pergunto, você sabe quantas cores tem a pele da sua cara?

7. SÉTIMA LIÇÃO
Sinta as pontas dos seus dedos como se fossem a ponta da sua língua. Apóie as pontas dos dedos nos objetos do mundo pensando que são frágeis, que uma pequena pressão pode quebrá-los. Peça-lhes permissão antes de tocá-los. Antes de apoiar os dedos na sua superfície, sinta como penetra na sua atmosfera. Aprenda a sentir e a acariciar com respeito. Qualquer ação que faça no mundo com as suas mãos ou corpo pode ser uma carícia.

8. OITAVA LIÇÃO
Pense que os atores vivem dentro de um corpo como centro de uma caverna. Peça-lhes que não gritem com a sua boca, e sim dentro de sua boca. Que não se expressem com a cara, e sim com vibrações. Viva debaixo da superfície. A superfície do rio não se move, mas você sabe que leva correntes profundas.

9. NONA LIÇÃO
Não importam os movimentos de câmera. Ela deve mover-se somente quando não puder ficar quieta. Você leva o alimento na mão. A câmera é um cão. Faça-a seguir com fome o alimento. A fome faz com que o animal se apague. Não há cão, não há fome, não há câmera. Há acontecimentos. Você nunca pode comer a maçã inteira no mesmo instante. Tem que dar mordiscadas. Enquanto come, você tem uma parte. Deve saber que o pedaço que mastiga não é a maçã inteira. Você nunca pode ter a maçã inteira na boca porque por maior que seja a sua boca, não pode caber nela o fruto que é parte da árvore nem a árvore que é parte da terra. A tela é a sua boca. Ali entram pedaços. Partes do acidente. Não tente trabalhar com planos absolutos. Não creia que existe o plano melhor. Se pode morder a maçã em qualquer lugar. Se a maçã é doce, não importa onde você comece a comê-la. Preocupe-se com a maçã, não com a sua boca. Cineasta! Antologia de fragmentos, você também tem um fragmento, seu filme inconcluso, você é parte, é continuação. Não há encerramentos. Mate a palavra fim. Você começará um filme no dia em que se der conta que você simplesmente continua. Não procure o prestígio. Desdenhe os efeitos. Não adorne. Não pense o que a imagem vai produzir. Não a procure. Receba as imagens. A caça está proibida. A pesca está permitida.

10. DÉCIMA LIÇÃO
Nunca trabalhe no papel seus movimentos de câmera. Chegue aos lugares pensando que você não irá mover a câmera, que não irá iluminar, que não irá inventar. Não crie cenas, crie acidentes. Não crie esses acidentes em direção à câmera. Você não está fazendo um filme, você está metido em um acidente. Parte do acidente são seus movimentos de câmera.

11. DÉCIMA PRIMEIRA LIÇÃO
E de repente, o grande prazer. Um plano pensado com a câmera opinando com luz artificial, com “atuações” (uma verdadeira sobremesa!). De verdade lhe digo, por este caminho você pode chegar a fazer filmes de Hollywood dos anos 40. Se você quer ser um grande cineasta de vanguarda, volte a filmar “E O Vento Levou”, exatamente igual, com atores de corpos gêmeos aos de Clark Gable e Vivian Leigh. Se conseguir que seu filme não possa ser distinguido do original, você passou à história.

Sessão Kinopus exibe Poesia sem Fim, de Alejandro Jodorowsky

Sessão Kinopus exibe nesta terça-feira, dia 25 de setembro de 2018, a partir das 19h, o filme Poesia sem Fim (2017, 128 min), o trabalho mais recente do realizador chileno Alejandro Jodorowsky (1929), um dos grandes nomes do cinema de invenção contemporâneo, conhecido por filmes como Fando e Lis (1968), O Topo (1970) e A Montanha Sagrada (1973). A exibição será realizada no Centro Cultural Sesi – Associação Médica De Londrina (Praça 1º de Maio, 130, Centro – em frente à Concha Acústica), e conta com entrada franca – os ingressos podem ser retirados com 1 hora de antecedência no local. Logo após a sessão haverá um debate com a presença do diretor de fotografia Anderson Craveiro,  que se inspirou no universo de Jodorowsky para o seu curta Rubras Mariposas – a mediação será do cineasta Rodrigo Grota. A classificação indicativa é para maiores de 16 anos.

Sobre Poesia sem Fim
Apresentado pela primeira vez ao público no Festival de Locarno há 2 anos, o filme é uma espécie de autobiografia do diretor Jodorowsky: durante os emocionantes anos 1940 e 1950 em Santiago, Alejandrito Jodorowsky, jovem de 20 anos, decide se tornar poeta contra a vontade de sua família. Ele é introduzido ao círculo íntimo dos artistas e intelectuais e conhece Enrique Lihn, Stella Diaz, Nicanor Parra e tantos outros promissores e anônimos escritores que, depois, se tornarão mestres da literatura moderna latino-americana. Totalmente imersos no mundo da experimentação poética, eles vivem juntos de uma maneira que poucos se atreveram: sensualmente, autenticamente, livremente, loucamente.

Sobre Jodorowsky
Nasceu no Chile em 1929. Foi discípulo teatral de Topor e Arrabal, com quem fundou o movimento Pânico. Dirigiu, entre outros, Fando e Lis (1968), El Topo (1970), A Montanha Sagrada (1973), Santa Sangre (1989), O Ladrão de Arco-Íris (1990) e A Dança da Realidade (2013). É também ator, dramaturgo, poeta, ensaísta, autor de histórias em quadrinhos, mímico e psicomago.

Trailer

Criada em abril de 2015, a Sessão Kinopus é uma iniciativa da produtora Kinopus com apoio do Sesi Londrina e tem como objetivo trazer a Londrina filmes que não chegaram ao circuito comercial, promover estreias de filmes locais, além de contribuir para a formação de público e estimular a reflexão sobre o cinema, sua linguagem e a sociedade. Todas as sessões contam com entrada franca.

A 33ª edição da SK será realizada no dia 09 de outubro com a exibição de quatro curtas-metragens londrinenses: Maria Angélica (2009, fic, 20 min), de Francelino França; Paulo Menten (2009, doc, 9 min), de Wagner Munhê; Rubras Mariposas (2013, fic, 18 min), de Anderson Craveiro e Grünstadt (2018, fic, 19 min), de Celina Becker. Após a sessão, haverá um bate-papo com os diretores presentes.

A 34ª edição da SK, a última de 2018, será no dia 13/11 com a exibição do filme Eraserhead, de David Lynch, clássico que neste ano celebra 40 anos do seu lançamento nos cinemas.