Sessão Kinopus exibe Persona, de Ingmar Bergman

Sessão Kinopus exibe nesta terça-feira, dia 3 de julho de 2018, a partir das 19h, o filme Persona (1966, 85 min), uma das obras mais aclamadas do realizador sueco Ingmar Bergman (1918-2007). A SK integra o cineclube da produtora Kinopus, será realizada no Centro Cultural Sesi – Associação Médica De Londrina (Praça 1º de Maio, 130, Centro – em frente à Concha Acústica), e conta com entrada franca – os ingressos podem ser retirados com 1 hora de antecedência no local. A classificação indicativa é para maiores de 18 anos. Logo após a sessão haverá um debate com o pesquisador de cinema da UEL, Gustavo Ramos de Souza, e o crítico de cinema e músico João Vitor Moreno – a mediação será do cineasta Rodrigo Grota.

Sobre Bergman
Nascido a 14 de julho de 1918 em Uppsala, Ernst Ingmar Bergman é autor de mais de 40 filmes ao longo de sete décadas, tendo conquistado os principais prêmios da história do cinema, incluindo o Oscar e as principais premiações nos festivais de Cannes, Berlim e Veneza. Com forte influência de dramaturgos como Strindberg, Shakespeare e Ibsen, Bergman realizou filmes centrados em temas como a ausência de Deus, a falência das relações afetivas, e os demônios internos dos seus personagens.

Parceiro de atores como Liv Ullmann, Erland Josephson, Max von Sydow, Bibi Andersson, Gunnar Björnstrand, Harriet Andersson e Ingrid Thulin, construiu uma das obras mais sólidas da história do cinema, com destaque para a impecável construção visual dos seus filmes, em parte realizados com o habitual diretor de fotografia Sven Nykvist. Sobre a sua parceria com os atores, disse Bergman em 1969: “Sem a força ou a iniciativa dos atores, sem o estímulo, a imaginação, a clareza intelectual, a competência dos atores que trabalham comigo, eu seria incapaz de realizar os roteiros que escrevo sozinho. Eles se apoderam desses roteiros e fazem deles sua propriedade”.

Exibido pela primeira vez na Suécia a 18 de outubro de 1966, Persona conquistou reconhecimento internacional. Inspirado na peça ‘A Mais Forte”, do dramaturgo August Strindberg, a trama mostra a atriz Elizabeth Vogler (Liv Ullmann) em crise – ela deixa de falar durante uma representação teatral de Electra. Seu mutismo em relação aos que a rodeiam é total, sendo então internada numa clínica. Não está doente, simplesmente optou pelo silêncio. Alma (Bibi Andersson), uma jovem enfermeira, fica encarregada de tratar dela. Quando, a conselho médico, as duas se isolam em uma ilha, passam a desenvolver uma intimidade e cumplicidade crescentes. Com isso se estabelece uma constante troca de identidades.

Bergman sobre Persona
As citações foram extraídas do livro “Imagens”, de Ingmar Bergman, obra lançada no Brasil em 1996 com tradução de Alexandre Pastor pela editora Martins Fontes:

“Que o cinema seja o meio por que me expresso, é absolutamente natural. Fiz-me compreender numa língua que passava ao lado da palavra de que carecia, da música que não sabia tocar, da pintura que me deixava indiferente. Subitamente tive a possibilidade de me corresponder com o mundo numa linguagem que literalmente fala da alma para a alma, em termos que, quase de maneira voluptuosa, escapam ao controle do intelecto.” (pag. 49)

“O fotógrafo Sven Nykvist e eu, originariamente, tínhamos pensado numa iluminação convencional para ambas as atrizes, Liv Ullmann e Bibi Andersson, mas não deu bom resultado. Concordamos então em pôr uma metade do rosto numa escuridão total, não havendo sequer uma luz de compensação. Depois, na parte final do monólogo, foi um passo natural combinar as duas metades iluminadas dos rostos, fazendo com que se integrassem numa só face. A maior parte das pessoas tem uma metade do rosto mais fotogênica que a outra. As fotografias meio iluminadas dos rostos de Liv e de Bibi que ligamos uma à outra mostram as suas metades feias. Quando recebi do laboratório o filme com esta duplicação, pedi a Liv e a Bibi que viessem ao estúdio de montagem. Surpresa, Bibi exclamou: ‘Como você está esquisita, Liv!’. E Liv por sua vez disse: ‘Mas essa cara é a sua, Bibi. É você que tem um ar esquisito!’ Quer dizer, ambas negaram espontaneamente as metades menos bonitas de seus rostos.” (pag. 61)

“Quando lemos o texto de Persona, talvez dê a impressão de ser uma improvisação. Mas não. Esse texto foi rigorosamente concebido. Apesar disso, nunca repeti tantas cenas em minha vida como nesse filme. E quando digo que repeti cenas, não quero dizer filmagens de uma e mesma cena, no mesmo dia, mas sim de novas filmagens por não ter ficado satisfeito com as seqüências reveladas de cada dia.” (pag. 64)

Sessão Kinopus é uma iniciativa independente da produtora Kinopus Audiovisual: o projeto conta com apoio do Sesi Cultura Paraná, e curadoria e produção dos cineastas Guilherme Peraro Rodrigo Grota. Criada em abril de 2015, a sessão tem como objetivo trazer a Londrina filmes que não entraram no circuito comercial, além de promover a exibição e reflexão sobre a produção local. Todas as sessões contam com entrada franca. A próxima SK, a edição n. 31, será no dia 21 de agosto, quando será exibido o filme Beduíno (2016, 75 min), do realizador brasileiro Júlio Bressane.

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