Dramátika inicia série de leituras com texto de Sam Shepard em abril

O Núcleo de Cinedramturgia Dramátika, uma parceria entre o Sesi Cultura Londrina e a produtora Kinopus, terá seu primeiro evento aberto ao público no dia 6 de abril, sexta-feira, a partir das 19h30: será realizada a leitura dramática da peça Loucos por Amor (Fool for Love, 1983), do dramaturgo norte-americano Sam Shepard. A leitura dramática da peça será realizada por 4 atores selecionados para o Núcleo Dramátika – a direção é do coordenador e idealizador do Núcleo, o cineasta Rodrigo Grota. No dia seguinte, 7 de abril, sábado, às 14h será exibido o filme Louco de Amor (1985, 106 min), adaptação da peça Fool for Love com direção de Robert Altman – no elenco principal, Sam Shepard, Kim Basinger e Harry Dean Stanton.  Após a exibição haverá um debate com Grota, os atores que participaram da leitura dramática, e os diretores que integram o Núcleo de Cinemdramaturgia este ano: Guilherme Peraro, Jackeline Seglin, Marina Stuchi e Renato Forin Jr. Tanto a leitura dramática quanto a exibição do filme e o debate são abertos ao público acima de 16 anos e contam com entrada gratuita (sujeita à lotação do espaço).

Sobre Fool for Love
Apresentada pela primeira vez em 1983 em San Francisco (com Ed Harris interpretando Eddie e Sam Shepard na direção), a peça acompanha o explosivo romance entre Eddie e May, um casal que não consegue permanecer junto nem se separar. Este texto conclui a série que Shepard escreveu entre os anos 1970 e 1980 sobre o universo da Família. Já o filme, dirigido por Robert Altman a partir de um roteiro de Shepard, foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1986. Kim Basinger substituiu Jessica Lange, que estava grávida e não pôde participar das filmagens. Shepard atua apenas no filme, e não na peça.

Sobre Sam Shepard (1943-2017)
Dramaturgo, ator, encenador e realizador norte-americano, Samuel Shepard Rogers nasceu em Fort Sheridan a 5 de novembro de 1943. Filho de um oficial de aviação, cedo começou a trabalhar, tendo sido lavrador, criado e músico antes de se mudar para Nova Iorque. Aí começou a escrever peças teatrais e em 1964 estreou no Teatro Génesis a peça Cowboys (1964) onde pontificava o humor corrosivo e a sátira grotesca com personagens presos num passado mítico. Brevemente, Shepard tornou-se num dos autores preferidos da cultura pop dos anos 60: La Turista (1967) foi a sua primeira obra a ser representada na Broadway. Cedo vieram os convites para escrever roteiros para cinema: Me and My Brother (1969) surgiu primeiro, mas Zabriskie Point (1970) realizado por Michelangelo Antonioni foi o que lhe trouxe maior reconhecimento por parte da crítica especializada. Em 1971, mudou-se para Londres onde escreveu a ópera- rock The Tooth of Crime (1972), que esteve três anos em cena nos palcos londrinos: a peça é uma surrealista história de dois músicos de rock de diferentes gerações que lutam pelo domínio de um império, defrontando-se num duelo final de canções. Foi o seu amigo Bob Dylan quem o convenceu a tentar a carreira de ator: estreou em Renaldo and Clara (1978), um estranho filme dirigido por Dylan e que foi um estrondoso insucesso comercial. Nesse mesmo ano, entrou em Days of Heaven (Cinzas no Paraíso, 1978) de Terrence Mallick, desempenhando convincentemente o papel de um agricultor traído pela esposa. Em 1979, foi agraciado com o Prémio Pulitzer pela sua peça em três atos Buried Child. Na década de 80, Shepard continuou a conciliar a sua dupla faceta de dramaturgo e ator: durante as rodagens de Frances (1982) conheceu a atriz Jessica Lange, com quem iniciou uma longa relação afetiva. Foi um dos protagonistas de The Right Stuff (Os Eleitos, 1983) onde encarnou a figura de Chuck Yeager, o primeiro homem a ultrapassar a barreira do som. Com este papel, Shepard foi nomeado para um Óscar mas, estranhamente, a Academia remeteu-o para a categoria de Melhor Ator Secundário onde perdeu em detrimento de Jack Nicholson. Em 1984 viu o seu argumento de Paris, Texas (1984) ser agraciado com a Palma de Ouro do Festival de Cannes. Como ator, continuou a ser requisitado, participando em Country (1984), Crimes of the Heart (1986) e Steel Magnolias (1989). Em 1988, tentou enveredar pela realização, mas o seu primeiro esforço foi mal recebido pela crítica: Far North (1988), protagonizado por Jessica Lange primou pela inconsistência narrativa. O mesmo aconteceu com Silent Tongue (1994), apesar de contar no elenco com nomes credenciados, como Richard Harris, River Phoenix e Alan Bates. Desde então, concentrou-se na sua carreira de ator, surgindo em filmes de sucesso como The Pelican Brief (1993), Swordfish (2001), Black Hawk Down (2001), e Mud (2012). Ao falecer em julho de 2017, Sam Shepard deixou três filhos — Jesse, Hannah e Walker — e as irmãs Sandy e Roxanne.

Sobre o Dramátika
Idealizado pelo cineasta e roteirista Rodrigo Grota em parceria com o Sesi Cultura, o Núcleo de Cinedramaturgia DRAMÁTIKA terá a sua primeira edição em 2018 com o intuito de aproximar os profissionais de Cinema e Teatro de Londrina & região. Com o suporte logístico e técnico da produtora Kinopus, o Núcleo DRAMÁTIKA se divide em duas etapas: em sua primeira fase, serão realizadas cinco leituras dramáticas de textos teatrais, seguidas pela exibição de filmes que foram adaptados para o cinema a partir desses textos. Na segunda etapa do projeto, o coordenador do Núcleo DRAMÁTIKA, Rodrigo Grota e outros quatro diretores convidados vão conduzir os alunos na criação e desenvolvimento de 5 cenas curtas de até 15 minutos de duração. Essas 5 cenas serão escritas e dirigidas por estes diretores e contarão com no mínimo 2 e no máximo 5 atores entre os alunos selecionados para o Núcleo. Ao final desta segunda etapa, essas 5 cenas serão filmadas e apresentadas ao público em seus dois formatos finais: um filme de longa-metragem e uma peça de teatro. O projeto também conta com colaboração do diretor de arte Julio Vida e da figurinista Thaís Blanco“O Núcleo de Cinedramaturgia Dramátika nasce com o objetivo de estreitar as relações entre os profissionais de cinema e teatro de Londrina e região. A ideia é contribuir para que cada vez mais atores de teatro trabalhem também em projetos ligados ao audiovisual, ao integrar as duas linguagens”, explica Rodrigo Grota.

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