Sessão Kinopus exibe As Mil e uma Noites Volume 2, de Miguel Gomes

O cineclube da produtora Kinopus vai retomar as suas atividades nesta terça, dia 11 de abril, exibindo o filme As Mil e Uma Noites (filme) Volume 2 – O Desolado (2015, 131 min), do realizador português Miguel Gomes. A sessão será realizada no Centro Cultural Sesi – Associação Médica De Londrina (Praça 1º de Maio, 130, Centro –em frente à Concha Acústica) a partir das 19h e conta com entrada franca. Após o filme, haverá um bate-papo informal com o pesquisador Diego Giménez, professor doutor da Universitat de Barcelona, e que desde o ano passado está em Londrina para o seu Pós-Doutorado na Universidade Estadual de Londrina. O filme tem classificação indicativa não apropriada para menores de 1 6 anos.

Sobre a Trilogia
Num País Europeu em crise, Portugal, um realizador propõe-se a construir ficções a partir da miserável realidade onde está inserido. Mas incapaz de descobrir um sentido para o seu trabalho, foge cobardemente, dando o seu lugar à bela Xerazade. Ela precisará de ânimo e coragem para não aborrecer o Rei com as tristes histórias desse país! Com o passar das noites, a inquietude dá lugar à desolação e a desolação ao encantamento. Por isso Xerazade organiza as histórias que conta ao Rei em três volumes. Começa assim: “Oh venturoso Rei, fui sabedora de que num triste país entre os países…”

Sobre o Volume 2 – O Desolado
No qual Xerazade narra como a desolação invadiu os homens: “Oh venturoso Rei, fui sabedora de que uma juíza aflita chorará em lugar de ditar a sua sentença, na noite de três luares. Um assassino em fuga vagueará pelas terras interiores durante mais de quarenta dias e teletransportar-se-à para fugir à Guarda, sonhando com putas e perdizes. Lembrando-se de uma oliveira milenar, uma vaca ferida dirá o que tiver a dizer e que é bem triste! Moradores de um prédio dos subúrbio salvarão papagaios e mijarão em elevadores, rodeados por mortos e fantasmas; mas também por um cão que…”. E vendo despontar a manhã, Xerazade calou-se.

Sobre o realizador Miguel Gomes
Miguel Gomes nasce em Lisboa, em 1972. Estuda na Escola Superior de Teatro e Cinema e trabalha como crítico de cinema entre 1996 e 2000. Realiza várias curtas e estreia-se na realização de longa-metragem com A CARAQUE MERECES (2004).  AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO (2008) e TABU (2012) vêm confirmar o seu sucesso e projecção internacional. TABU estreia em cerca de 50 países e vence mais de uma dezena de prémios. Retrospectivas da sua obra tiveram lugar na Viennale, BAFICI, Turim, Alemanha e EUA. AS MIL E UMA NOITES, um filme em três volumes, estreia na edição de 2015 da Quinzena dos Realizadores.

Sobre a SK
Criada em 2015, a Sessão Kinopus é uma iniciativa da produtora Kinopus Audiovisual em parceria com o Sesi Cultura Paraná e tem como objetivo trazer a Londrina filmes que não chegaram ao circuito comercial da cidade. As sessões são sempre gratuitas e acompanhadas por um debate. A curadoria é dos cineastas Guilherme Peraro e Rodrigo Grota. A próxima edição do projeto será no dia 23 de maio com a exibição de As Mil e uma Noites – Volume 3 – O Encantado, de Miguel Gomes.

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Estação Londrina celebra o cinema de Hikoma Udihara

O projeto Estação Londrina, coordenado pelo professor Frederico Fernandes (UEL), retoma as suas atividades na próxima quarta, dia 12 de abril, com uma homenagem ao cineasta Hikoma Udihara (1882-1972). Quarenta e cinco anos após a morte do pioneiro do cinema londrinense, serão exibidos alguns dos seus filmes em versão restaurada pelo pesquisador Caio Júlio Cesaro. A sessão será realizada na Sala Multimeios do Museu Histórico de Londrina a partir das 19h e conta com entrada franca. Após a sessão, Cesaro falará da importância do acervo Udihara para a memória visual de Londrina, e abordará aspectos do projeto que restaurou alguns filmes do cineasta. A mediação será do cineasta Rodrigo Grota.

Sobre Udihara
Nascido a 7 de novembro de 1882, na província de Kochi, no Japão, Udihara só chegaria ao Brasil em 28 de junho de 1910, no porto de Santos (SP). Por volta de 1920, dedica-se ao ramo de corretagem e colonização, fundando colônias e núcleos de imigrantes japoneses. Em 1922, ingressa na CTNP, a convite do gerente geral da Companhia, sr. Arthur Thomas. Torna-se o agente exclusivo da CTNP para negociações com japoneses. Udihara passa então a filmar para convencer colonos japoneses de outras regiões brasileiras a virem para Londrina.

O cineasta prosseguiu com seus filmes e suas vendas até 1969. Faleceu a 20 de agosto de 1972, em São Paulo, após sofrer um derrame cerebral e ficar paralítico. Em 37 anos, fez cerca de 124 filmes curtos, que, segundo Caio Cesaro, totalizam 10 horas de filme. Todos foram documentários, sem montagem, e com impressionante equilíbrio nos enquadramentos. Hoje parte desses filmes se encontra disponível em VHS no acervo do Museu Histórico de Londrina. Outra parte está conservada na Cinemateca Brasileira em São Paulo.

Em 1999, a I Mostra Londrina de Cinema homenageou o pioneiro cineasta atribuindo seu nome ao troféu entregue pelo festival. Entre 2004 e 2006, Cesaro coordenou o projeto “LondrinaCinema70”, que sob o patrocínio da Prefeitura de Londrina realizou a restauração de 13 filmes curtos de Udihara. Em 2009, esses filmes foram apresentados por Cesaro no Museu Histórico dentro da programação da 11ª Mostra Londrina de Cinema.

Sobre Caio Cesaro
Nascido em Londrina, Caio Julio Cesaro é doutor em Multimeios pelo Instituto de Artes da Unicamp; mestre em Comunicação e Mercado e especialista em Técnicas e Teorias da Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero; graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Em gestão e produção cultural, tem experiências ao ter trabalhado em diversos órgãos como a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura; foi coordenador geral de Comunicação e Circuitos da Programadora Brasil – projeto do Ministério da Cultura de difusão do cinema brasileiro. Como voluntário, fez a coordenação executiva a Revista Filme Cultura (Revista histórica do Cinema Brasileiro), edições 56 e 57. Desde janeiro deste ano é Secretário de Cultura de Londrina.

Também trabalhou como Coordenação de Comunicação do Festival Internacional de Televisão em 2012. Foi diretor da Kinopus entre 2004 e 2013, produtora que criou ao lado de Guilherme Peraro. Atuou como diretor executivo da Associação de Amigos do Centro Técnico do Audiovisual (Rio de Janeiro); coordenou a recuperação de parte do acervo cinematográfico do japonês Hikoma Udihara (Paraná); foi Secretário Executivo da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas (ABD Nacional); foi vice-presidente do Conselho Municipal de Cultura de Londrina/PR.

Em 1998, em Londrina, promoveu a realização de uma Oficina de Realização em Cinema em Super-8 que acabou se tornando um marco para a produção de filmes na cidade. Em 1999, ao lado de Fernando Henares e Guilherme Peraro, Cesaro criou a Mostra Londrina de Cinema, o festival de cinema mais antigo do Paraná. Posteriormente ainda criaria o Mapa-Piá – Mostra Audiosivual Paraná Para Infância e Adolescência. Em 2006, foi produtor do curta-metragem Satori Uso, com direção de Rodrigo Grota. Entre 2006 e 2016, Cesaro residiu no Rio de Janeiro, e depois em Brasília, tendo retornado a Londrina em janeiro deste ano para assumir a Secretaria de Cultura da cidade.

Estação Londrina
Estação Londrina é um projeto coordenado pelo professor Frederico Fernandes do Departamento de Letras da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e tem como objetivo promover e discutir a produção cultural da cidade. Em 2016 foram realizados cinco encontros, discutindo temas relacionados à história, política, economia, cinema, fotografia e música. Entre os convidados, participaram do projeto os jornalistas Tony Hara, Patrícia Zanin, e Fábio Cavazotti, além dos fotógrafos Saulo Haruo Ohara e Guilherme Gerais.

O Museu Histórico de Londrina fica na Rua Benjamin Constant, 900, no centro de Londrina. O evento tem entrada franca e é aberto a todos os interessados.