Sessão Kinopus exibe documentários locais

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A produtora Kinopus, em parceria com o Sesi Cultura Londrina, promove nessa terça, dia 30, a 3ª edição do projeto Sessão Kinopus, com a exibição de documentários locais: O Nadador – A História de Tetsuo Okamoto (2014, 26 min), com produção de Guilherme Peraro e direção de Rodrigo Grota; uma Coletêna de Curtas de Hikoma Udihara (1930-1960), restaurados pela Kinopus com apoio da Prefeitura de Londrina; e o filme Londrina 1959 (1959, 20 min), de Orlando Vicentini, produzido em 16mm para celebrar o Jubileu de Prata da cidade no final dos anos 1950. A sessão será no Auditório do Centro Cultural Sesi/AML (Praça 1º de Maio, 130, em frente da Concha Acústica), a partir das 20h, e conta com entrada franca. O evento é uma iniciativa da Kinopus, produtora criada em Londrina em 2004: o objetivo do projeto é promover estreias de curtas locais e exibições de filmes que não chegaram ao circuito comercial local.

O Nadador

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Rodado em Londrina, Marília, São Paulo, Vera Cruz e Ibiporã, O Nadador é um documentário sobre a trajetória do nadador mariliense Tetsuo Okamoto (1932-2007), o primeiro medalhista olímpico da Natação Brasileira. O filme foi produzido pela Kinopus especialmente para a ESPN dentro do projeto Memória do Esporte Olímpico Brasileiro. O edital é uma iniciativa do Instituto de Políticas Relacionais e conta com patrocínio do Ministério da Cultura e da Petrobras. Com roteiro e direção de Rodrigo Grota, o filme foi produzido por Guilherme Peraro e Roberta Takamatsu, e conta com fotografia de Guilherme Gerais, trilha original de Otavio Santos, figurinos de Mayhara Nogueira, e som direto de Bruno Bergamo. Essa será a primeira exibição do filme em Londrina: em dezembro de 2014, o documentário teve a sua primeira exibição na ESPN Brasil.

Curtas de Hikoma Udihara 

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O nascimento do cinema em Londrina partiu da vontade de registrar tudo que acontecia na região em que estava instalada a Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP). Era o distante ano de 1932, quando um cinegrafista de 50 anos passou a registrar em um filme reversível (com cópia única) 16mm as terras e a mata que hoje conhecemos por Londrina. O cinegrafista era o japonês Hikoma Udihara (1882-1972), o primeiro cineasta londrinense, considerado pelo crítico de cinema Carlos Eduardo Lourenço Jorge “o ponto de chegada e partida imagística de Londrina”. Apesar de indícios de filmes realizados já em 1932, o filme mais antigo de Udihara, com data comprovada, é o já citado de 1934. Nascido a 7 de novembro de 1882, na província de Kochi, no Japão, Udihara só chegaria ao Brasil em 28 de junho de 1910, no porto de Santos (SP). Por volta de 1920, dedica-se ao ramo de corretagem e colonização, fundando colônias e núcleos de imigrantes japoneses. Em 1922, ingressa na CTNP, a convite do gerente geral da Companhia, sr. Arthur Thomas. Torna-se o agente exclusivo da CTNP para negociações com japoneses. A nora de Hikoma, Kasue Udihara, em entrevista ao pesquisador Cesaro, define Udihara como um cinegrafista prolífico: “Filmava tudo o que via. Era um curioso que gostava de fotografar e filmar”. O cineasta prosseguiu com seus filmes e suas vendas até 1969. Morreu em 1972, em São Paulo, após sofrer um derrame cerebral e ficar paralítico. Em 37 anos, fez cerca de 124 filmes curtos, que, segundo Cesaro, totalizam 10 horas de filme. Todos foram documentários, sem montagem, e com impressionante equilíbrio nos enquadramentos. Hoje parte desses filmes se encontra disponível em VHS no acervo do Museu Histórico de Londrina. Outra parte está conservada na Cinemateca Brasileira em São Paulo. Em 1999, a 1ª Mostra Londrina de Cinema homenageou o pioneiro cineasta atribuindo seu nome ao troféu entregue pelo festival. Entre 2004 e 2006, Cesaro coordenou o projeto “LondrinaCinema70”, que sob o patrocínio da Prefeitura de Londrina realizou a restauração de 13 filmes curtos de Udihara. Desse projeto saíram os curtas que serão apresentados nessa terceira edição da Sessão Kinopus.

Londrina 1959, de Orlando Vicentini

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Depois dos primeiros documentaristas do norte do Paraná, surge um homem disposto a fazer ficção cinematográfica, o médico Orlando Vicentini. Seu primeiro filme é de 1948, mas foi em 1949 que ele comprou a sua primeira câmera, a Bolex Paillard, 16mm, de origem suíça. A primeira ficção londrinense, possivelmente do Paraná também, foi filmada entre março e abril de 1954, intitulada “Um Dia Qualquer”. Mostra os filhos do médico em sua rotina antes de ir para escola. Em dezembro daquele ano, Vicentini produziria sua segunda incursão dramática, o curta “O Natal de 54”. Ambos os filmes são coloridos e mudos, com cerca de 10 minutos de duração. Apesar das condições precárias de que Vicentini dispunha, percebe-se que ele era profundo conhecedor da linguagem do cinema. Segundo Cesaro, ele assistia a muitos filmes e tinha uma boa noção de alguns elementos da estética da sétima arte. Em seus filmes, há fusões, contra-planos, bons enquadramentos, e uma razoável direção de atores (seus filhos) que lhes reservam certo tom de espontaneidade. Em 1959 é filmada a obra-prima de Orlando Vicentini e talvez o melhor filme da história do cinema londrinense, “Londrina 1959”, uma homenagem aos 25 anos da cidade. Para a produção do filme, segundo Cesaro, Vicentini comprou uma lente Cinemascope e usou filme Kodachrome colorido. Mesmo com o bom resultado, Vicentini sempre achou “Londrina 1959” um filme ruim, conta o pesquisador. “Ele ia tirando imagens do filme ao longo dos anos”. A montagem inicial tinha de 40 a 50 minutos. A versão final, entregue à TV Coroados em 1984, na ocasião do cinqüentenário de Londrina, tinha 20 minutos, que foram mostrados na íntegra pela TV em rede estadual, em um especial sobre a cidade. Nesse mesmo ano de 1984, a cineasta curitibana Berenice Mendes veio a Londrina e realizou um documentário em 16mm, curta-metragem, sobre a cidade, usando imagens do filme “Londrina 1959”. As únicas cópias disponíveis desse filme estão com a família, no formato original e em VHS. Em 2006, os cineastas Rodrigo Grota e Caio Cesaro realizaram a telecinagem desse filme para o suporte Betacam analógico e para formato DVD. É essa versão que será apresentada nessa 3ª edição da Sessão Kinopus.

O projeto Sessão Kinopus se estende até dezembro e já conta com um calendário para as sessões ao longo do ano: 04/08, 01/09, 13/10, 10/11 e 08/12.

Serviço
Sessão Kinopus #3 – Estreia de Curtas Londrinenses
Quando: Dia 30 de junho, terça-feira, a partir das 20 horas
Onde: Centro Cultural Sesi/AML (Praça 1º de Maio, 130, Centro, em frente da Concha Acústica)
Como: Entrada Franca – Os Ingressos são limitados à capacidade do teatro (126 lugares) e estarão disponíveis no Centro Cultural Sesi apenas na terça-feira a partir das 18hs.
Realização: Kinopus e Centro Cultural Sesi Londrina

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