Mister H: Curta Londrinense no Festival de São Paulo

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O curta-metragem Mister H, uma co-produção Brasil e França (Kinopus e Senso Films) será exibido no 25º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo, o mais importante do gênero na América Latina. O filme, rodado em Londrina em dezembro de 2013, será exibido no Panorama Internacional promovido pelo Festival na sessão O Realizador e seu Tempo. As exibições do curta, que contarão com a presença do diretor e roteirista francês Bernard Payen, serão em agosto nos dias 24 (Itaú Augusta, 19h), 29 (Cine Olido, 19h) e 30 (Cinemateca Brasileira, 15h), sempre com entrada franca. Dirigido por Payen, o filme conta com uma equipe mista, incluido brasileiros e franceses em variadas funções. Com o artista plástico Hígor Mejïa no papel título, e Nagomi Kishino como principal atriz, o filme ainda conta com Guilherme Peraro, Roberta Takamatsu e Rodrigo Grota na produção, Guilherme Gerais na fotografia, Camila Melara na direção de arte, além da trilha sonora original composta pelo músico Rodrigo Guedes, figurinos de Mayhara Nogueira, som direto de Bruno Bergamo e maquiagem de Eve Chaiben. Em Londrina, o filme deve ter a sua primeira exibição em setembro no Festival Kinoarte de Cinema. O teaser do filme pode ser visto aqui.

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Diretor espanhol premiado em Cannes ministra palestra em Londrina

ANTONIO MÉNDEZ ESPARZA
O diretor espanhol Antonio Méndez Esparza, vencedor do Grande Prêmio da Semana da Crítica no Festival de Cannes em 2012, estará em Londrina no dia 2 de agosto para participar de um bate-papo com o público na abertura de uma nova turma da Pós-Graduação em Criação e Produção Audiovisual da Faculdade Pitágoras. Méndez, professor de cinema nos EUA, terá o seu segundo longa-metragem, o filme Saudade, rodado no Brasil em 2015. O filme é uma co-produção Brasil, Espanha e França em uma parceria entre as produtoras Dezenove Som e Imagens, Aqui y Alli e KinoElectron, e deve ser rodado no Norte do Paraná em cidades como Londrina, Maringá, Paranavaí e Apucarana, entre outras. No momento, o
 cineasta está em fase de pesquisa de locação e seleção de elenco, etapa na qual a produtora londrinense Kinopus participa do projeto. A conversa com o cineasta em Londrina será no sábado, dia 2 de agosto, das 14h às 17h, na Sala B-29 da Faculdade Pitágoras (Rua Edwy Taques de Araújo, 1.100, Gleba Palhano) – a entrada é franca. Mais informações pelo telefone 43 3373 7333.

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./o que é mais importante: a beleza ou a verdade?_
(a verdade)
:no fundo não são a mesma coisa?”
a beleza você reconhece – é algo externo.
a verdade não pode ser reconhecida – ela se reconhece em você.
(ou não)

(trecho do livro ‘Anotações para o Leste‘: textos de Rodrigo Grota e fotos de Guilherrme Gerais // publicação Hotel Berlim & Avalanche, 2015)

Um dramaturgo no calçadão – entrevista com o dramaturgo Plínio Marcos

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Por Rodrigo Grota

Um homem tranqüilo passeia pelo calçadão de Londrina. Sorri do infortúnio alheio, e lembra alguns parentes que estão na cidade. “Tem mulher bonita por aqui, né?”. O repórter, ainda no segundo ano de jornalismo, gosta dessa informalidade do entrevistado, um dos dramaturgos mais respeitados do País. Passeiam pelo centro da cidade e observam as qualidades essenciais de uma garota.

Em agosto de 1998, Plínio Marcos visitou Londrina para conferir a estréia de “Abajur Lilás”, texto de 1970, encenado pelo grupo de teatro londrinense Boca de Baco. Entre uma piada e outra, o dramaturgo concedeu esta entrevista, poucos meses antes de sua morte, em 29 de novembro de 1999.

*

Machado de Assis costumava dizer: “As idéias são como as nozes, e até hoje, não descobri melhor processo para saber o que há dentro de umas e outras senão quebrá-las”. Como é o seu processo criativo?
Não tenho processo criativo. Às vezes eu escrevo, às vezes não escrevo. Às vezes eu trabalho, às vezes nem tô ligando. Quando me apresentam algum trabalho, eu faço. Não tenho nenhum processo criativo.

O país em que vivemos apresenta muitos problemas sociais. Qual seria o papel da arte popular, que é o que você faz, em um país como o nosso?
Eu não faço arte popular. A arte popular vem de baixo. Eu faço arte popularesca. Eu vejo assim: eu não moro em favela, nem vivo com o povão. Existem quatro tipos de cultura. A cultura erudita, que é esta que vocês aprendem na faculdade. A cultura de massa, que é esta bosta que destrói tudo: a televisão, o rádio, essas coisas todas. A cultura popularesca, que é essa que a gente faz. E a cultura popular, que é a do pessoal que não teve acesso à cultura.

Você teve muitos problemas com a questão dos direitos autorais. Como está a situação hoje?
Isso é uma praga no mundo inteiro. Agora mesmo nós estivemos na França, eu e minha mulher, e tinha uns caras que queriam editar o “Dois Perdidos numa Noite Suja” em francês, sem pagar direitos autorais. É um vexame. Todo mundo tem problema com isso. Todos os artistas.

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Inúmeras peças suas, como “Dois Perdidos numa Noite Suja” e “Navalha na Carne”, foram adaptadas para o cinema. Você gostou do resultado?
De algumas sim, de algumas não. Geralmente os caras querem enfeitar demais, aí o filme fica ruim. O último filme que fizeram, aquele que era com a Vera Fischer, eu gostei. Ela é boa atriz. Aquele rapaz, sobrinho do Oscarito, também é bom. Só não gostei do cubano. Não entendi por que precisaram trazer aquele cara com tanta gente boa por aqui.

E o humor que é feito hoje no Brasil – você gosta?
No geral, tem muita coisa ruim. Eu gosto de alguns. Tem o Luis Fernando Verissimo, que é um cara encantador. Eu vou pra Porto Alegre, e sempre vou na casa dele. A gente fica conversando, eu, ele e a mulher dele, e ele não abre a boca. Só fica dando risada a tarde inteira. É um cara muito inteligente. Ele sabe fazer humor. O humor tem que ser sutil, suave. São frases espirituosas, sacadas. Não pode ser explícito. Outro cara legal é o Millôr Fernandes. Tem sacadas geniais.

E literatura – quais são os seus autores preferidos?
Eu gosto muito do Jorge Amado. Ele é maravilhoso. Gosto também do Machado de Assis. Só pra efeito de ilustração, eu sou do tempo dele.

Nos anos 60, todo mundo criticava o Nelson Rodrigues, dizendo que faltava engajamento político em suas peças. O senhor era o único que ainda se dizia fã do Nelson. Qual era a sua relação com ele?
Eu gosto muito do Nelson Rodrigues. Era uma pessoa extraordinária. Li muito suas peças. Esse lance de ter engajamento político ou não era uma besteira. O problema é que ele fez a revolução no teatro brasileiro, esqueceram isso de sacanagem, porque ele não queria ser filiado à esquerda. Gostava muito dele. Ele era dez. Li todas peças dele. Mas eu gostava mesmo era das crônicas. Aquela “A Vida Como Ela É”, fantástico. E ele foi meu amigão. A gente sempre se encontrava quando eu ia pro Rio. E ele era zoador. Ele virava pra mim e dizia: “Plínio, tão dizendo que eu não sei fazer teatro! Aquele Zé Celso, Plínio. Você conhece ele? Ele tem a profundidade de uma formiga. Sabe o Dias Gomes? Tão dizendo que ele é o melhor dramaturgo brasileiro hoje em dia. Plínio, ele não consegue ser melhor nem na casa dele, porque tem a Janete Clair.” Ele tinha um espírito formidável.

Plínio, pra finalizar, o que você anda fazendo e quais são os seus projetos?
Estou escrevendo um livro de contos, chamado “A Crônica dos Pequenos Artistas”. É sobre pessoas que trabalharam comigo. No circo, na rua. Alguns amigos. E minha mulher tá fazendo um trabalho de compilação de todas as minhas peças para a Funarte. Se a minha mulher trabalha, eu não preciso trabalhar, né, porra!

Mostra Sesc de Cinema – Edição Londrina

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A Mostra Sesc de Cinema – Edição Londrina oferece ao público a chance de conhecer mais de 40 filmes produzidos ao longo dos 80 anos da cidade. Pela primeira vez, o público poderá conferir lado a lado a obra de cineastas pioneiros como Hikoma Udihara, Orlando Vicentini, Lorenzo Izquierdo, assim como trabalhos mais recentes produzidos por uma nova geração formada por Caio Cesaro, Guilherme Peraro, Rodrigo Grota, Bruno Gehring, Anderson Craveiro, Luciano Pascoal, Artur Ianckievicz e Luis Mioto, entre outros.

A Mostra se divide em sessões temáticas: Londrina Histórica, Londrina em Película, Londrina Documental, Londrina Sombria, Londrina Sonora, Londrina Contemporânea e Londrina Imaginária. Há também espaço para filmes destinados ao público infanto-juvenil, assim como documentários de longa-metragem focados na cultura popular.

Apesar de Londrina ainda ser uma cidade muito nova, o cinema local conseguiu estabelecer uma forte identificação com o público londrinense: a cidade sempre foi personagem desses filmes. Rever, portanto, curtas em 16mm de Udihara e Vicentini, sonorizados especialmente para esse evento, oferece um sentimento único: o reencontro com imagens ao mesmo tempo “estranhas”, raras, possivelmente não vistas, e ao mesmo tempo extremamente familiares.

Essa memória afetiva audiovisual foi construída nos mais diversos formatos: 35mm, 16mm, super-8, até a recente conquista do digital. Todos esses formatos são contemplados por essa Mostra, que ao lançar um olhar retrospectivo sobre o cinema local fortalece a preocupação com a memória do audiovisual londrinense e estimula novas produções na cidade.

Mostra Sesc de Cinema – Edição Londrina
De 23 a 27 de Julho de 2014
Curadoria: Rodrigo Grota
Produção: Kinopus

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Programação Completa

Dia 23, quarta
20h – Londrina Histórica (60 min)
Curtas de Hikoma Udihara restaurados por Caio Julio Cesaro, 1930-1960, 40 min
Londrina 1959, 1959, 20 min, de Orlando Vicentini
Apresentação e Mediação: Rodrigo Grota
Debate: Carlos Eduardo Lourenço Jorge (crítico de cinema) e Tony Hara (historiador)

Dia 24, quinta
14h – Curtas Infanto-Juvenis (52 min)
João Pipoca, 2004, 20 min, de Anderson Craveiro
Os Olhos Não Têm Cerca, 2010, 9 min, Oficinas Kinoarte
Meia Noite Meia, 2011, 14 min, Oficinas Kinoarte
Prova de Coragem, 2013, 9 min, Oficinas Kinoarte

15h30 – Singularidades
Saga Cidade, 2012, 120 min, de Luis Henrique Mioto e Rodrigo Evangelista

20h – Londrina em Película (59 min)
Gênesis, 1983, 18 min, de Vicente José Lorenzo Izquierdo
Cine Paixão, 2001, 13 min, de Sérgio Concílio e Vera Senise
Saudade, 2004, 5 min, de Sérgio Concílio e Vera Senise
Pandora, 2004, 4 min, Invasores da Tela/Mostra Londrina de Cinema
Maria Angélica, 2009, 19 min, de Francelino França
Apresentação e Mediação: Rodrigo Grota
Debate: Guilherme Peraro (produtor), Bruno Gehring (produtor) e Anderson Craveiro (diretor de fotografia)

Dia 25, sexta
14h – Curtas Infanto-Juvenis (52 min)
João Pipoca, 2004, 20 min, de Anderson Craveiro
Os Olhos Não Têm Cerca, 2010, 9 min, Oficinas Kinoarte
Meia Noite Meia, 2011, 14 min, Oficinas Kinoarte
Prova de Coragem, 2013, 9 min, Oficinas Kinoarte

15h30 – Londrina Popular
Retalhos do Chão, do Corpo e do Céu, 2013, 60 min, de Luis Henrique Mioto

20h – Londrina Documental (68 min)
Zé Bento, o amigo de Mário de Andrade, 2003, 13 min, de Luciano Pascoal
Nem todos que estão são, nem todos que são estão, 2005, 5 min, Oficinas Kinoarte
Rotundus, 2005, 5 min, de Luciano Pascoal/Oficinas Kinoarte
Paulo Menten, 2009, 9 min, de Wagner Munhê
Galeria, 2010, 15 min, de Evelyssa Sanches
Mauro Montezuma – Vida e Obra, 2012, 4 min, de Ian e Eik Sorgi
Nanuk, 2013, 17 min, de José Dias Lima
Apresentação e Mediação: Rodrigo Grota
Debate: Ian Sorgi, José Dias Lima, Luciano Pascal e Wagner Munhê

Dia 26, sábado
16h – Curtas Infanto-Juvenis (52 min)
João Pipoca, 2004, 20 min, de Anderson Craveiro
Os Olhos Não Têm Cerca, 2010, 9 min, Oficinas Kinoarte
Meia Noite Meia, 2011, 14 min, Oficinas Kinoarte
Prova de Coragem, 2013, 9 min, Oficinas Kinoarte

18h – Londrina Sombria (58 min)
O Quinto Postulado, 2006, 15 min, de Rodrigo Grota
Venha Ver o Pôr do Sol, 2012, 12 min, Oficinas Kinoarte
Bosque Vermelho, 2013, 8 min, Oficinas Kinoarte/Mostra Londrina de Cinema/Cine Guerrilha
Lucidez, 2013, 8 min, de Miriam Kimura
O Castelo, 2013, 15 min, de Rodrigo Grota
Apresentação e Mediação: Rodrigo Grota
Debate: Carlos Fofaun Fortes, Rafael Ceribelli e Miriam Kimura

20h – Londrina Sonora (48 min)
O Violeiro de Lerroville, 2013, 9 min, de Carlos Fofaun Fortes
California Soul, 2013, 12 min, de Artur Ianckievicz
Jardim Tókio, 2013, 15 min, de Rodrigo Grota
Parque Guanabara, 2013, 12 min, de Guilherme Peraro
Apresentação e Mediação: Rodrigo Grota
Debate: Carlos Fofaun Fortes, Artur Ianckievicz e Guilherme Peraro

Dia 27, domingo
18h – Londrina Contemporânea (50 min)
Londrina em Três Movimentos, 2004, 15 min, de Rodrigo Grota
Sylvia, 2013, 17 min, de Artur Ianckievicz
Rubras Mariposas, 2013, 18 min, de Anderson Craveiro
Apresentação e Mediação: Rodrigo Grota
Debate: Anderson Craveiro e Artur Ianckievicz

20h – Londrina Imaginária (48 min)
Satori Uso, 2007, 17 min, de Rodrigo Grota
Booker Pittman, 2008, 15 min, de Rodrigo Grota
Haruo Ohara, 2010, 16 min, de Rodrigo Grota
Apresentação e Mediação: Rafael Ceribelli
Debate: Rodrigo Grota