Sessão Kinopus exibe Eraserhead, de David Lynch, no dia 13/11

Sessão Kinopus exibe no dia 13 de novembro, no Centro Cultural Sesi – Associação Médica De Londrina (Praça 1º de Maio, 130, Centro – em frente à Concha Acústica) a partir das 19h, o filme Eraserhead (1978, 89 min), o primeiro longa do realizador americano David Lynch (1946), um dos grandes nomes do cinema de invenção contemporâneo, conhecido por filmes como Blue Velvet (1986), Estrada Perdida (1997) e Mulholland Drive (2001). A exibição celebra os 40 anos do lançamento comercial desse filme e conta com entrada franca – os ingressos podem ser retirados com 1 hora de antecedência no local. Logo após a sessão haverá um debate com a presença de dois especialistas na obra de Lynch: a diretora de arte Louisa Savignon e o roteirista e diretor Auber Silva, ambos do curta Nigredo. A classificação indicativa é para maiores de 16 anos.

Sobre Eraserhead
Henry Spencer vive em uma cidade industrial, em meio à fumaça, ao barulho e a prédios abandonados. Nesse cenário desolador, ele tem estranhas visões enquanto tenta sobreviver à raiva da namorada, Mary X, e aos gritos incessantes de seu filho recém-nascido, uma criança mutante. Preservado pelo Museu de Arte Moderna de Nova York com financiamento de Hollywood Foreign Press Association e The Film Foundation. Em seu primeiro longa-metragem, David Lynch já demonstrava o que viria a ser no mundo cinematográfico. Para muitos, inclusive é o melhor filme de sua carreira.

Sobre Lynch
Nasceu nos Estados Unidos em 1946. Estudou pintura e começou no cinema nos anos 1960, com curtas experimentais como The Alphabet (1968) e The Grandmother (1970). Seu primeiro longa-metragem foi Eraserhead. Durante a carreira recebeu três indicações ao Oscar de direção, por O Homem Elefante (1980), Veludo Azul (1986) e Cidade dos Sonhos (2001). Ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes com Coração Selvagem (1990). Também dirigiu os longas Duna (1984), Estrada Perdida (1997), História Real (1999) e Império dos Sonhos (2006). Na década de 1990, criou a série Twin Peaks, que também deu origem ao longa Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer (1992).

Trailer

Criada em abril de 2015, a Sessão Kinopus é uma iniciativa da produtora Kinopus com apoio do Sesi Londrina e tem como objetivo trazer a Londrina filmes que não chegaram ao circuito comercial, promover estreias de filmes locais, além de contribuir para a formação de público e estimular a reflexão sobre o cinema, sua linguagem e a sociedade. Todas as sessões contam com entrada franca. A exibição do filme Eraserhead será a 34ª edição do projeto. A SK ficará de recesso por 3 meses e só voltará em março de 2019.

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Kinopus recebe inscrições de estagiários para o projeto Dramátika

A produtora Kinopus recebe até a próxima segunda-feira, dia 22/10, currículos de interessados em participar do Núcleo de CineDramaturgia Dramátika, uma iniciativa da produtora em parceria com o Sesi Cultura Paraná. O Dramátika prevê a produção de uma peça e de um longa-metragem de 75 minutos aproximadamente com data de estreia em Londrina para os dias 07/12 (versão teatro) e 08/12 (versão cinema). Os interessados devem manifestar interesse nas áreas de cenografia, iluminação e/ou figurino, e enviar um email com seu currículo para info@kinopus.com.br, deixando claro (por ordem de preferência) as suas áreas de interesse. O resultado será divulgado na terça, dia 23/10, na página da Kinopus em suas redes sociais (Facebook e Instagram). Os alunos selecionados terão direito a um certificado de 60 horas a ser emitido pelo Sesi Londrina, e irão participar das filmagens do projeto nos dias 03, 05, 06 e 07/11, além da encenação teatral nos dias 06 e 07/12. Para esse projeto serão abertas 12 vagas – não é obrigatório ter experiência comprovada na área para se inscrever. A única restrição é a idade mínima de 18 anos para cada interessado.

Sobre o Dramátika
Idealizado e coordenado pelo cineasta Rodrigo Grota, Dramátika é um Núcleo Criativo que tem como objetivo investigar as relações entre cinema e teatro em uma linguagem não-realista: 17 atores integram o projeto desde março, tendo realizado 5 leituras dramáticas e participado dos ensaios de 5 cenas escritas e dirigidas pelo coordenador do projeto, Rodrigo Grota, e outros 4 diretores convidados: Guilherme Peraro, Jackeline Seglin, Marina Stuchi e Renato Forin Jr. O projeto ainda conta com direção de fotografia e iluminação teatral de Anderson Craveiro, direção de arte e cenografia de Julio Vida, figurinos de Thais Blanco, produção executiva de Guilherme Peraro, direção de produção de Rafaela Pifer, assistência de Coordenação Geral de Laura Lopes, montagem de João Vítor Moreno, entre outros profissionais que devem integrar o projeto até a sua fase final em dezembro.

Sobre a Kinopus
Criado em abril de 2004, a Kinopus já produziu 2 longas, 2 séries de TV, e uma série de filmes de média e curta-metragem, conquistando mais de 60 prêmios em festivais nacionais e internacionais. Coordenada pelos cineastas Guilherme Peraro e Rodrigo Grota, a produtora conta ainda com projetos de formação (Oficinas Kinopus), exibição (Sessão Kinopus, Mostras) e preservação. Em 2019, a Kinopus irá rodar o seu 3º longa-metragem: o filme sci-fi Passagem Secreta.

Sessão Kinopus exibe 4 curtas londrinenses nessa terça, dia 9

Sessão Kinopus exibe nessa terça, dia 9 de outubro, quatro curtas dirigidos por realizadores de Londrina: os filmes Paulo Menten (2009, doc, 9 min), de Wagner Munhê; Rubras Mariposas (2013, fic, 18 min), de Anderson Craveiro; Grünstadt (2018, fic, 19 min), de Celina Becker; e A Manicure (2018, fic, 13 min), de Marina Stuchi. Os quatro curtas contam com direção de fotografia de Anderson CraveiroLogo após a sessão haverá um debate com as realizadoras presentes com mediação de Rodrigo Grota.

A 33ª edição do projeto Sessão Kinopus será realizada a partir das 19h, no Centro Cultural Sesi – Associação Médica De Londrina (Praça 1º de Maio, 130, Centro – em frente à Concha Acústica), e conta com entrada franca – os ingressos podem ser retirados com 1 hora de antecedência no local. A classificação indicativa é para maiores de 14 anos.

Leste Oeste é selecionado para a Mostra Sesc de Cinema

O filme Leste Oeste, primeiro longa-metragem londrinense, está entre os 34 filmes escolhidos para integrar a 2ª edição da Mostra Sesc de Cinema deste ano, que será realizada em outubro no Rio de Janeiro e vai distribuir um total de R$ 533 mil em prêmios, além de promover a circulação nacional dessas produções. Leste Oeste, uma realização da Kinopus com direção de Rodrigo Grota e produção de Guilherme Peraro, é um dos dois longas-metragens escolhidos do Sul do Brasil.

Ao todo, foram 1061 inscritos (952 curtas e 109 longas), dos quais 34 selecionados. As produções selecionadas ganham o licenciamento para exibição pública nacional nas unidades do Sesc e em instituições parcerias. Os selecionados concorrem ainda a prêmios de destaque em sete categorias: direção, roteiro, direção de fotografia, montagem, direção de atores, som e direção de arte. A realização da Etapa Nacional da Mostra deve ocorrer no Rio de Janeiro no dia 16/10 no Sesc Tijuca, junto com a exibição na íntegra dos 34 filmes; concluindo com a premiação no dia 26/10, também no Sesc Tijuca. A partir de novembro, os demais Estados também realizarão a Mostra.  Em março deste ano, Leste Oeste já havia conquistado três premiações na Etapa Estadual da Mostra Sesc de CinemaMelhor Direção de Fotografia (para Guilherme Gerais), Melhor Direção de Arte (para José de Aguiar) e Melhor Desenho de Som (para Alexandre Rogoski).

Sobre o filme Leste Oeste
A trama de Leste Oeste acompanha o percurso de Ezequiel, um piloto de testes que retorna à sua cidade natal após 15 anos. Interpretado pelo ator gaúcho Felipe Kannenberg (Menos que Nada), Ezequiel reencontra três figuras do seu passado: Stela, um antigo affair da juventude, interpretada pela atriz paulista Simone Iliescu (RiocorrenteCores); Angelo (José Maschio), o patriarca da família, o pai com o qual Ezequiel nunca se entendeu; e Pedro, 16 anos, jovem que sonha em ser piloto profissional, interpretado pelo piloto londrinense Bruno Silva. Produzido com patrocínio da Prefeitura de Londrina via Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura), e com o apoio de mais de 40 empresas locais, Leste Oeste é o primeiro longa-metragem feito em Londrina com equipe local e elenco em grande parte londrinense.

Estreia no circuito comercial
Rodado em novembro e dezembro de 2014, Leste Oeste conquistou 8 prêmios desde que foi exibido pela primeira vez em 7 de maio de 2016, em Recife, incluindo premiações nos EUA, Holanda e México), além dos prêmios de Melhor Atriz (para Simone Iliescu) e Melhor Ator (para Felipe Kannenberg) no Cine Pe – Festival Audiovisual de Pernambuco. O filme foi exibido em 20 cidades brasileiras e em 7 países (Colômbia, EUA, Holanda, Índia, Inglaterra, México e Polônia). Ainda no 2º semestre desse ano, o filme deve estrear nas salas de cinema em Circuito Nacional com distribuição da própria Kinopus. A produtora/distribuidora foi contemplada no Edital de Arranjos Regionais do FSA/Ancine/BRDE promovido em parceria com o Governo do Paraná em 2017. 

Equipe
Leste Oeste conta com roteiro, direção e montagem de Rodrigo Grota (Trilogia do Esquecimento), produção executiva de Guilherme Peraro, direção de produção de Roberta Takamatsu, direção de fotografia de Guilherme Gerais, direção de arte de José de Aguiar, trilha sonora de Rodrigo Guedes, figurinos de Mayhara Nogueira, desenho de som de Alexandre Rogoski, som direto de Bruno Bergamo, maquiagem de Evelise Chaiben, projeto gráfico de Yan Sorgi, assistência de direção de Rafael Ceribelli, Carlos Fofaun e João Mussato, assistência de produção de Marina Stuchi e Lucas Pullin, assistência de som direto de Eduardo Lopes Touché e Giovani Nori, assistência de arte de Camila Melara & Hígor Mejïa, e assistência de fotografia de Gustavo Nakao, Arthur Ribeiro, Ricardo Costa Barros (Carioca), Elizeo Garcia (still) e Lucas Meyer (câmera adicional).

Inscrições abertas para Curso de História do Cinema com Rodrigo Grota

Estão abertas as inscrições para o Curso de Introdução à História do Cinema que será ministrado pelo cineasta Rodrigo Grota neste sábado, dia 29.09, no Sesc Londrina Cadeião Cultural. Com vagas limitadas e inscrição gratuita, o curso tem caráter introdutório e será realizado das 10h às 13h e das 15h às 18h. Essa é a terceira vez que Grota ministra esse curso em Londrina: as edições anteriores foram realizadas em 2003 e 2007.

Como fazer a Inscrição
A inscrição pode ser feita de duas formas: por telefone e presencial. Para quem já tem a carteirinha do Sesc válida e atualizada, é só ligar, informar o CPF e se inscrever. Para quem não tem a carteirinha é necessário ir ao Sesc Cadeião, fazer a sua carteirinha e só então se inscrever. O processo de cadastro para a emissão da carteirinha é simples: se a pessoa for empresária (serve MEI), trabalhadora do comércio ou dependente (filho, pai, mãe, cônjuge) não paga nada. Os demais que não se encaixam nas categorias citadas precisam pagar R$ 11,80 pela emissão da carteirinha. Qualquer dúvida, o Sesc Cadeião atende pelo telefone (43) 3572 7700 de terça a sexta, das 10h às 21h; e aos sábados e domingos, das 10h às 18h.

Sobre o Curso
O curso irá mostrar a história do cinema a partir de quatro períodos históricos: o cinema inicial (de 1895 a 1915), o cinema clássico (de 1915 aos anos 1940), o cinema moderno (a partir dos anos 1940) e o cinema contemporâneo (a partir dos anos 1960). A ideia é mostrar de que forma a linguagem cinematográfica passou por transformações a partir de uma série de momentos decisivos: a invenção do cinematógrafo no séc. 19, os truques do francês Méliès, a consolidação da narrativa clássica com D. W. Griffith, as teorias e experimentos de montagem com os russos Eisenstein, Pudovkin e Vertov, a construção do espaço e da luz a partir dos alemães Lang, Murnau e Sternberg, o cinema poético de Vigo, Buñuel e Epstein, a reinvenção da comédia em Chaplin, Keaton e Lloyd, a construção do cinema de gêneros em diretores como Hawks, Walsh, Tourneur e Hitchocock, o advento do cinema moderno em Welles, Renoir e Rossellini, os novos movimentos na Europa (neo-realismo, nouvelle vague), no Brasil (cinema novo), os diretores de obras inclassificáveis (Bergman, Tarkovsky, Bresson, Resnais, Kubrick), o cinema de ator de John Cassavetes, Philippe Garrel e Maurice Pialat, o cinema marginal brasileiro de Bressane, Sganzerla e Tonacci, o cinema italiano pós neo-realista de Pasolini, Zurlini, Antonioni, Visconti e Fellini, o cinema surreal de Lynch, Jodorowsky e Cronenberg, os alemães Herzog, Fassbinder e Wenders, a escola britânica (Lean, Reed), a estética do século 21 com Martel, Gomes, Kar-Wai, Von Trier, Arnold, entre outros.

Sobre Rodrigo Grota
Rodrigo Grota é diretor de cinema e sócio da produtora Kinopus. Dirigiu 15 projetos, incluindo os curtas da Trilogia do Esquecimento, o longa Leste Oeste e a série Super Família. Seus filmes conquistaram mais de 60 prêmios, contam com exibições em 15 países – incluindo sessões especiais na Cinemateca Francesa e no Japão -, e também foram analisados em trabalhos acadêmicos, com destaque para um livro lançado pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Formado em Jornalismo, Grota é especialista em Filosofia, Mestre e Doutorando em Literatura. Fundador da Kinoarte, instituto que coordenou por 10 anos, é também professor, curador de Mostras e coordenador do Dramátika – Núcleo de Cinedramaturgia. Desde 2003 ministra cursos teóricos e práticos, com destaque para oficinas de Direção, Roteiro, Montagem, História do Cinema e Interpretação para Cinema.

Estação Londrina discute o romance Mulheres Esmeraldas, de Domingos Pellegrini

A 12ª edição do projeto Estação Londrina vai destacar o romance Mulheres Esmeraldas, obra mais recente do escritor e jornalista londrinense Domingos Pellegrini. Lançado nacionalmente pela editora Autêntica no mês passado. O encontro será realizado nesta quinta-feira, dia 27 de setembro, a partir das 19h, no Piso Superior da Biblioteca Pública Municipal de Londrina (Av. Rio de Janeiro, 413, Centro, Londrina). A mediação será de Frederico Fernandes, professor do Departamento de Letras da UEL e coordenador do projeto de pesquisa Estação Londrina. A entrada é franca e o evento é aberto a todos os interessados.

Sobre o romance Mulheres Esmeraldas
O romance conta a história de um repórter da Playboy retornando do exílio que, em 1984, quer fazer um ensaio fotográfico para a revista numa mina explorada por mulheres na Amazônia. Domingos foi repórter da Playboy nessa época, cobriu Serra Pelada e ouviu falar dessa mina. As jovens do lugar aceitam a proteção do delegado do município de Alta Mata em troca de uma parcela do ouro que produzem. O que ele não sabe é que, lideradas por uma ex-enfermeira americana, elas buscam também um veio de esmeraldas. Quando o repórter bate por lá, as mineradoras, que sempre evitaram todo contato com gente de fora, recebem-no muito bem, mas a ideia é usá-lo como cobertura para a fuga delas com um grande carregamento da preciosa pedra verde.

Um thriller emocionante, com uma fuga espetacular e assustadora pelo Brasil afora, MULHERES ESMERALDAS é também um delicado romance. Marianne, a ex-enfermeira, é filha de um major americano recrutado por Daniel Ludwig, que quando morre deixa para a filha um mapa para a mina de esmeraldas. O cenário é a Amazônia do início da década de 80, São Paulo e Rio de Janeiro, e o pano de fundo é a transmissão televisiva das Diretas e a cobertura da agonia de Tancredo Neves. Um livro realmente extraordinário que vai impressionar o mundo literário.

Sobre o escritor Domingos Pellegrini
Romancista, contista, cronista, poeta, jornalista e publicitário. Passa a maior parte de sua vida em Londrina, Paraná, onde mora. As narrativas de tropeiros, mascates e viajantes que passam pela barbearia de seu pai e pela pensão comandada por sua mãe são a base de seus contos e de seu universo romanesco. Conduzido pelo permanente desejo de desenvolvimento da escrita a partir de uma linguagem cada vez mais simples e direta, Domingos Pellegrini Jr. dedicou-se progressivamente à produção de textos destinados ao público infanto-juvenil, principal interlocutor de sua obra. Estuda letras e publicidade na Universidade Estadual de Londrina – UEL, entre 1967 e 1975, e mais tarde vai para Assis, São Paulo, estudar na Universidade Estadual Paulista – Unesp, onde se especializa em teoria literária. Trabalha como redator de agências de propaganda e escreve para jornais e revistas, especialmente para o Jornal de Londrina. Estreou em 1977, já ganhando o Prêmio Jabuti com seu livro de contos O Homem Vermelho. Ganharia outro, em 2001, com o romance O Caso da Chácara Chão, e tem mais quatro Jabutis com romances e livros de poesia e juvenis. Depois de seu primeiro livro, O Homem Vermelho, escreve mais de uma dezena de outras coletâneas de contos, novelas e romances. Seu primeiro livro infanto-juvenil, A Árvore que Dava Dinheiro, de 1981, tem mais de 3 milhões de exemplares publicados, 2 milhões deles para o Plano Nacional de Bibliotecas do Ministério da Educação. Entre 1989 e 1992, assume a Secretaria de Cultura do município de Londrina. Com Terra Vermelha, Pellegrini compõe um romance épico, sobre meio século de transformações no país. Vive de literatura há quinze anos, quando se mudou para uma chácara na cidade onde nasceu.. Lança seu primeiro livro de poesias, Gaiola Aberta, em 2005, com versos escritos no decorrer dos últimos 40 anos.

Sobre o projeto Estação Londrina
Criado em 2016 sob a coordenação do professor e pesquisador Frederico Augusto Garcia Fernandes (Letras/UEL), Estação Londrina é um projeto de extensão da Universidade Estadual de Londrina, conta com recursos da CNPq, e tem como objetivo promover e discutir a produção cultural da cidade. De 2016 pra cá já foram realizados 10 encontros, discutindo temas relacionados à história, política, economia, literatura, cinema, fotografia, games e música de Londrina. Entre os convidados, participaram do projeto os jornalistas Tony Hara, Patrícia Zanin, Felipe Melhado, e Fábio Cavazotti, os fotógrafos Saulo Haruo Ohara Guilherme Gerais, o cineasta Caio Júlio Cesaro, o professor canadense Tamer Thabet, as escritoras Beatriz BajoFlavia VercezeSamantha AbreuVi Karina, Maria Angélica Constantino e Vivian Campos, os escritores e jornalistas Edson Maschio e José Maschio, os escritores Marcos Hidemi de Lima e Rogério Ivano, o professor catalão Diego Giménez, entre outros nomes da cultura local. Em todas as edições do projeto a entrada é franca.

Como fazer cinema, por Alejandro Jodorowsky

Cena do filme Fando y Lis (1968), de Alejandro Jodorowsky


1. PRIMEIRA LIÇÃO

Sentar-se do amanhecer ao anoitecer na frente de uma árvore sentindo a luz. Voltar por sete dias seguidos e fazer o mesmo.

2. SEGUNDA LIÇÃO
Voltar à noite com uma lanterna e iluminar a árvore por infinitos pontos distintos.

3. TERCEIRA LIÇÃO
Colocar-se a um quilômetro da árvore. Olhar para ela fixamente e avançar centímetro por centímetro em direção a ela até que, depois de algumas horas, se choque o tronco com o nariz. (As duas primeiras lições servem para desenvolver o sentido da luz. A terceira para desenvolver o sentido da distância).

4. QUARTA LIÇÃO
Colocar-se em um interior ou paisagem e mover-se pensando que seu próprio peito fotografa, depois pensando que a sua cara fotografa, depois o sexo, depois as mãos.

5. QUINTA LIÇÃO
Coloque-se em um lugar e sinta que você é o centro dele. Logo sinta que está sempre na superfície ao redor do lugar. Ao final rompa a idéia de centro e superfície. Está aí, tudo está em você e fora de você ao mesmo tempo. Você é a parte do lugar. Existe o lugar. Você desapareceu!

6. SEXTA LIÇÃO
Procurar a cor que não tem cor. Pegue uma página branca e veja suas cores. Pegue uma página preta e veja suas cores. Veja as cores de um vidro transparente. Descubra o arco-íris em um pedaço de terra, em um cuspe, em uma folha seca. Expresse a cor com materiais sem cor. Na verdade lhe pergunto, você sabe quantas cores tem a pele da sua cara?

7. SÉTIMA LIÇÃO
Sinta as pontas dos seus dedos como se fossem a ponta da sua língua. Apóie as pontas dos dedos nos objetos do mundo pensando que são frágeis, que uma pequena pressão pode quebrá-los. Peça-lhes permissão antes de tocá-los. Antes de apoiar os dedos na sua superfície, sinta como penetra na sua atmosfera. Aprenda a sentir e a acariciar com respeito. Qualquer ação que faça no mundo com as suas mãos ou corpo pode ser uma carícia.

8. OITAVA LIÇÃO
Pense que os atores vivem dentro de um corpo como centro de uma caverna. Peça-lhes que não gritem com a sua boca, e sim dentro de sua boca. Que não se expressem com a cara, e sim com vibrações. Viva debaixo da superfície. A superfície do rio não se move, mas você sabe que leva correntes profundas.

9. NONA LIÇÃO
Não importam os movimentos de câmera. Ela deve mover-se somente quando não puder ficar quieta. Você leva o alimento na mão. A câmera é um cão. Faça-a seguir com fome o alimento. A fome faz com que o animal se apague. Não há cão, não há fome, não há câmera. Há acontecimentos. Você nunca pode comer a maçã inteira no mesmo instante. Tem que dar mordiscadas. Enquanto come, você tem uma parte. Deve saber que o pedaço que mastiga não é a maçã inteira. Você nunca pode ter a maçã inteira na boca porque por maior que seja a sua boca, não pode caber nela o fruto que é parte da árvore nem a árvore que é parte da terra. A tela é a sua boca. Ali entram pedaços. Partes do acidente. Não tente trabalhar com planos absolutos. Não creia que existe o plano melhor. Se pode morder a maçã em qualquer lugar. Se a maçã é doce, não importa onde você comece a comê-la. Preocupe-se com a maçã, não com a sua boca. Cineasta! Antologia de fragmentos, você também tem um fragmento, seu filme inconcluso, você é parte, é continuação. Não há encerramentos. Mate a palavra fim. Você começará um filme no dia em que se der conta que você simplesmente continua. Não procure o prestígio. Desdenhe os efeitos. Não adorne. Não pense o que a imagem vai produzir. Não a procure. Receba as imagens. A caça está proibida. A pesca está permitida.

10. DÉCIMA LIÇÃO
Nunca trabalhe no papel seus movimentos de câmera. Chegue aos lugares pensando que você não irá mover a câmera, que não irá iluminar, que não irá inventar. Não crie cenas, crie acidentes. Não crie esses acidentes em direção à câmera. Você não está fazendo um filme, você está metido em um acidente. Parte do acidente são seus movimentos de câmera.

11. DÉCIMA PRIMEIRA LIÇÃO
E de repente, o grande prazer. Um plano pensado com a câmera opinando com luz artificial, com “atuações” (uma verdadeira sobremesa!). De verdade lhe digo, por este caminho você pode chegar a fazer filmes de Hollywood dos anos 40. Se você quer ser um grande cineasta de vanguarda, volte a filmar “E O Vento Levou”, exatamente igual, com atores de corpos gêmeos aos de Clark Gable e Vivian Leigh. Se conseguir que seu filme não possa ser distinguido do original, você passou à história.